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Banco central dos EUA sobe juros e contraria Trump

UOL Notícias ·
Banco central dos EUA sobe juros e contraria Trump

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevou hoje sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023 , e a decisão foi unânime entre os 12 integrantes do comitê que define os juros.

O motivo é a inflação, que chegou a 3,4% em 12 meses em agosto, bem acima da meta de 2%. "A inflação está alta demais, e há tempo demais", disse o presidente do Fed, Kevin Warsh. Os preços vêm sendo pressionados principalmente pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que já dura mais de seis meses e mantém fechado o estreito de Hormuz, rota marítima por onde passa grande parte do petróleo mundial.

O barril continua acima de US$ 100. Nos EUA, a gasolina subiu para US$ 4,33 o galão, em média, e o diesel bateu recorde. Também pesam as tarifas de importação impostas por Trump e os investimentos bilionários em inteligência artificial, que aquecem a demanda.

A alta deve continuar . Segundo as projeções divulgadas pelo Fed, 16 dos 18 dirigentes que participaram da reunião preveem ao menos mais um aumento até o fim do ano. A instituição agora estima que a inflação só voltará à meta em 2029, um ano depois do que previa em junho.

O impacto político é direto : faltam sete semanas para as eleições legislativas de 3 de novembro, em que os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso, e o custo de vida é a principal preocupação dos eleitores. Juros mais altos encarecem cartão de crédito, financiamentos de carros e imóveis. A taxa média da hipoteca de 30 anos já se aproxima de 7%.

Os mercados reagiram em queda : o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou com baixa de cerca de 1,2%, e o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos, referência para empréstimos no mundo todo, voltou ao maior nível desde 2007. Juros mais altos nos EUA costumam valorizar o dólar e encarecer o crédito para países emergentes.

O governo Trump retirou a Venezuela da lista de países que, segundo Washington, "falharam de forma comprovada" no combate ao tráfico de drogas . A Colômbia foi mantida, ao lado de Afeganistão, Bolívia e Mianmar.

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a mudança se deve à captura e retirada do ex-presidente Nicolás Maduro do país, em janeiro, e à morte do líder da facção criminosa Tren de Aragua, Héctor "Niño" Guerrero, em junho. Os dois episódios ocorreram após operações militares lideradas pelos EUA. Trump elogiou os "avanços" sob a presidente interina Delcy Rodríguez, cujo governo tem estreitado a cooperação com Washington por meio de acordos de petróleo.

Washington acusava Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, organização cuja existência nunca foi comprovada de forma consistente. As menções ao grupo foram retiradas da acusação apresentada contra ele após sua prisão em Nova York.

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