Tem dinheiro para comprar um imóvel à vista? Nem sempre esta é a melhor alternativa
Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro
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Ao entrar em um prédio e descobrir que precisa subir dez andares, você provavelmente toma uma decisão em poucos segundos. A escada está ali, é gratuita e ainda pode fazer bem à saúde. Mesmo assim, é provável que escolha o elevador. Não porque seja incapaz de subir pela escada, mas porque gratuidade não é o único critério da decisão. Você também considera tempo, esforço e conveniência.
Curiosamente, quando a decisão envolve dinheiro, muitas vezes abandonamos esse mesmo raciocínio. Se você possui R$ 1 milhão e encontra um imóvel de R$ 1 milhão, pagar à vista parece automaticamente a melhor alternativa. Afinal, usar o próprio dinheiro não tem juros , enquanto utilizar o dinheiro de terceiros tem um custo. Mas, assim como na escolha entre escada e elevador, olhar apenas para aquilo que parece gratuito pode levar à decisão errada.
Ao pagar R$ 1 milhão à vista, você pode pensar que economiza em juros, mas abre mão de algo que também tem valor: R$ 1 milhão de liquidez, que poderia continuar investido rendendo juros e disponível para emergências, oportunidades ou mudanças de planos. Portanto, a escolha não deveria ser simplesmente entre pagar ou não juros. Deveria considerar o custo de utilizar o dinheiro de terceiros e o custo de oportunidade de utilizar o seu próprio dinheiro.
Empresas fazem essa conta constantemente. Mesmo quando possuem caixa suficiente para realizar um investimento, não necessariamente utilizam apenas recursos próprios. Elas comparam o custo do capital de terceiros, preservam liquidez e procuram uma estrutura de capital mais eficiente. Na compra de um imóvel, deveríamos fazer a mesma conta.
O problema é que costumamos dedicar muito mais tempo à escolha do imóvel do que à escolha de como comprá-lo. Pesquisamos bairros, visitamos apartamentos, comparamos preços, negociamos descontos e analisamos até a posição do sol. Mas frequentemente só pensamos em como pagar quando encontramos o imóvel desejado. Nesse momento, a urgência reduz nossas alternativas: ou utilizamos o dinheiro disponível ou recorremos ao financiamento bancário que conseguimos contratar naquele momento.
Planejar antes amplia essas escolhas. O financiamento imobiliário tradicional permite preservar parte do patrimônio, mas seu custo costuma ser mais elevado que o de seus investimentos. Atualmente, mais de 13% ao ano quando consideramos a taxa efetiva e a correção da TR. Para quem precisa comprar imediatamente, ele pode ser a alternativa possível. Quem começa a planejar a aquisição meses ou anos antes, entretanto, pode preparar outras formas de utilizar capital de terceiros a um custo menor.
Uma delas é o consórcio. Ele não cobra juros como um financiamento tradicional, embora esteja longe de ser gratuito. Existem taxa de administração, fundo de reserva, seguro, correção monetária e prazo de pagamento previstos no contrato.
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