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Filiação fake de Flávio vira campanha grátis para Renan

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Filiação fake de Flávio vira campanha grátis para Renan

A política brasileira tem uma capacidade ímpar de produzir roteiros que seriam rejeitados por comédias pastelão por falta de verossimilhança. O episódio da vez é a filiação fraudulenta do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) ao Missão, partido comandado por Renan Santos.

Ao tentar registrar a candidatura no Tribunal Superior Eleitoral, a campanha descobriu que Flávio havia "deixado" o PL e ingressado no Missão. A partir daí, tivemos bate-boca digital, disputa judicial e um festival de indignação. Renan acionou o TSE por falsidade ideológica e acusou o senador de omissão. Flávio, por sua vez, contou em uma live que sua assessoria recebeu os e-mails do Missão comunicando a filiação, mas os ignorou por achar que eram spam.

O TSE informou que não houve ataque hacker ao sistema, mas uso indevido de credenciais pertencentes ao próprio partido de Renan. Flávio, tentando capitalizar o papel de vítima perante seus apoiadores, exibiu e-mails impressos durante a live e afirmou que, além da fraude, ainda estava recebendo cobranças.

Kassio Nunes Marques atendeu ao pedido do senador, determinou o restabelecimento de sua filiação ao PL e a vida seguiu para que ele pudesse registrar a candidatura. Ele está em segundo nas intenções de voto.

Não é possível, com os fatos disponíveis, acusar Renan ou o Missão de terem montado a arapuca cibernética. Mas é impossível negar que foram os maiores beneficiários dela. Em uma campanha na qual a atenção do eleitor vale ouro, eles ganharam holofotes de horário nobre sem gastar um tostão. Transformaram uma situação bizarra em marketing político gratuito.

Candidato à Presidência por um partido nanico, sem tempo de televisão e lutando para crescer nas pesquisas virarem algo maior, Renan viu o próprio nome e o de sua legenda monopolizarem o noticiário político e as redes sociais, para além da sua bolha predominantemente de homens jovens, de uma hora para outra.

A história lembra inevitavelmente a estratégia bizarra de Pablo Marçal na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024. Ele compreendeu como poucos a economia da atenção: não importa quão absurda seja a situação, desde que obrigue a imprensa, a Justiça e os adversários a falarem de você.

Com provocações, confusões e performances histriônicas, Marçal tornou-se nacionalmente conhecido, cresceu nas pesquisas e sequestrou o debate público com uma mistura de entretenimento barato, violência política e caos. Renan encarnou o mesmo espírito no episódio, surfando na desorganização alheia para conquistar a projeção que as regras tradicionais do jogo não lhe dariam.

Mas a história recente também traz um alerta a quem abraça o vale-tudo eleitoral em busca de engajamento fácil. Marçal usou o caos para se transformar em fenômeno de massas, mas, no final da corrida, pesou a mão. Ao publicar um laudo médico falso contra Guilherme Boulos, dizendo que ele havia se internado por uso abusivo de cocaína, o que nunca aconteceu, cruzou a linha que separa a irresponsabilidade do crime e acabou inelegível.

Pablo Marçal achava que controlava o espetáculo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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