Apoiada de Lula, Bachelet tira sua candidatura para posto mais alto da ONU
Michelle tinha o apoio de Brasil e México na candidatura. Apesar de sua retirada, ela voltou a afirmar que o cargo precisa ser preenchido por uma líder feminina e da América Latina: "espero que esse momento chegue", declarou. A posição na chefia da Secretaria-Geral da ONU ficará livre em dezembro. O atual secretário, António Guterres, está desde 2017 no posto.
No comunicado publicado nas redes ela descreve um "cenário adverso" a sua candidatura. Preliminarmente não esperava-se que ela tivesse mais que um dos 9 votos necessários no Conselho de Segurança para seguir no pleito. Contudo, sua equipe havia relatado no início do mês que sua participação era uma questão de "convicção", negando que ela iria desistir.
Atribui a decisão a um cenário adverso para o multilateralismo, o direito internacional e os direitos humanos, embora afirme não se arrepender de ter promovido a ideia de uma mulher latino-americana independente à frente do organismo. Michelle Bachelet
Ela agradeceu Lula e Cláudia Scheinbaum, presidente do México, pelo apoio na candidatura. Ela concluiu o comunicado mandando um recado de gratidão para o Chile.
A escolha do secretário-geral da ONU é definida pela Carta das Nações Unidas, que estabelece um sistema de freios e contrapesos entre os dois principais órgãos da organização. O processo começa no Conselho de Segurança, onde os 15 membros — incluindo os cinco permanentes com poder de veto (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) — avaliam os candidatos indicados pelos Estados-membros em votações secretas informais.
Uma vez que o Conselho de Segurança chega a um consenso e recomenda formalmente um único nome, é a vez da Assembleia Geral, composta por todos os 193 países membros. A assembleia poderia votar por maioria simples em sessão secreta, mas na prática ela apenas ratifica a decisão do Conselho por aclamação em sessão pública. Desde a criação da ONU, nenhum secretário-geral foi escolhido diretamente pela Assembleia: o poder de selecionar está nas mãos do Conselho de Segurança, especialmente dos cinco membros permanentes, que podem eliminar qualquer candidato com um único voto contrário.
Anteriormente, Michelle Bachelet já havia ironizado sua candidatura dizendo que não teria chances no pleito. A socialista sul-americana foi indicada em fevereiro pelo então governo chileno, mas sua candidatura perdeu força depois que o direitista José Antonio Kast, novo presidente do Chile, retirou seu apoio.
Em 80 anos, nenhuma mulher ocupou a Secretaria-Geral da ONU e houve apenas um representante da América Latina: o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1991. Cinco mulheres e três homens concorrem para suceder ao português António Guterres, 77, cujo segundo mandato de cinco anos termina em 31 de dezembro.
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