De Roberto Carlos a trilhas da TV: baterista autista supera limites e faz carreira na música
Músico com TEA supera dificuldades e conquista carreira com a bateria O compasso que marca o tempo da bateria do músico Daniel Souza dos Santos Piscolaro, de 46 anos, também registra uma carreira de superação e conquistas.
Autista, o músico de Sorocaba (SP) não encontrou apenas um instrumento, mas um caminho de vida: aprendeu a tocar, virou professor e chegou a dividir o palco com grandes nomes da música brasileira. 🥁 Conhecido como Daniel Batera, nome que até registrou em cartório, ele celebra neste Dia do Baterista (20 de setembro) uma trajetória marcada por disciplina, talento e paixão, que já rendeu participações em shows da banda de Roberto Carlos e gravações de trilhas para novelas da TV Globo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Daniel foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte aos 43 anos, após identificar que a filha também é autista.
"Por causa dela (filha) que eu comecei a estudar sobre autismo, porque eu disse assim: 'Bom, já que minha filha tem isso, eu preciso entender melhor como que funciona, o que é essa parada".
E no que eu comecei a estudar sobre autismo, sobre os estereótipos de autismo, eu comecei a ver e me identificar com as coisas", disse.
Daniel Batera até registrou o nome em cartório como marca e patente, em Sorocaba (SP) Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM Músico de Sorocaba participa de shows de Seu Jorge e é elogiado: 'Botou a alma' Muito além dos sons: musicoterapia vira ponte para comunicação e regulação emocional em Sorocaba Primeiro hangar do aeroporto de Sorocaba ganha nome do tenente-brigadeiro do ar Cherubim Rosa Filho 🥁Hiperfoco em bateria Atualmente morador de Sorocaba, Daniel é natural de Porto Alegre (RS) e contou ao g1 que toca desde os oito anos.
O início de tudo ocorreu na igreja, acompanhando o pai, que tocava durante os cultos batistas.
O instrumento, consolidado no início do século 20, reúne um conjunto de tambores e pratos com pedais que também precisam ser tocados em tempos diferentes, o que pode ser desafiador para iniciantes.
Mesmo assim, com o apoio da família, Daniel desenvolveu um "hiperfoco" no instrumento, característica relacionada ao autismo que, segundo ele, ajudou em seu desenvolvimento musical, na educação e a mantê-lo longe de problemas na juventude.
"Eu fui me desenvolvendo como autodidata.
Aos 13 anos eu entrei numa escola, mas não deu muito certo porque o professor mais me enrolava do que qualquer outra coisa.
Com 15 anos eu fui descobrir um grande músico, Argus Montenegro, que foi professor do Kiko Freitas, baterista do João Bosco, e ele (Argus) começou a me ensinar a ler partitura e tudo mais", disse.
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