Dia do açaí: como mulheres negras e mestiças do século XIX construíram a história da fruta em Belém
Dia do Açaí: como era a venda e consumo da fruta no século XIX em Belém No dia do açaí, celebrado neste sábado (5), o g1 Pará mostra que a relação de moradores de Belém com a fruta é muito antiga.
No século XIX, quando ainda não existiam as máquinas usadas atualmente para bater o açaí, mulheres negras e mestiças preparavam a bebida com as próprias mãos e também percorriam as ruas da capital paraense vendendo o produto de porta em porta.
Elas eram chamadas de "amassadeiras" e "vendedeiras" de açaí, personagens que aparecem em jornais, processos criminais, relatos de viajantes e imagens históricas analisados pela historiadora Caroline Porto Brito, da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Caroline é mestre em História Social da Amazônia pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFPA.
Segundo ela, o projeto foi desenvolvido durante dois anos de mestrado e tinha como foco os serviços domésticos e as mulheres que trabalhavam como criadas na capital paraense.
A pesquisa intitulada “No encalço das libertas: a regulamentação dos serviços domésticos e as experiências de luta e trabalho nas ruas de Belém (1871-1898)” mostra as experiências de trabalho e circulação de mulheres pelas ruas de Belém entre os anos citados.
Nos documentos encontrados, estão registros que ajudam a reconstruir como o açaí era preparado, vendido e consumido na cidade.
“Algumas dessas mulheres, além de serem trabalhadoras domésticas, trabalhavam com a venda de comes e bebes nas ruas.
Os documentos mostravam que uma mesma mulher podia exercer diferentes atividades ao longo do dia ou em períodos distintos".
Açaí Gea/divulgação "Uma trabalhadora podia atuar como cozinheira na casa de uma família e, posteriormente, aparecer na documentação como doceira ou vendedora.
São ofícios que estavam entrelaçados, que eram complementares para algumas dessas mulheres nesse período”, explica Caroline.
Os relatos reunidos no estudo mostram que essas trabalhadoras estavam inseridas em uma rede que envolvia comércio, clientela, relações de vizinhança, amizade e solidariedade, mas também conflitos, furtos e episódios de violência. ✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Como a pesquisa chegou às amassadeiras O ponto de partida foram processos criminais preservados pelo Centro de Memória da Amazônia.
Ao acompanhar as histórias das mulheres que apareciam nesses documentos, a historiadora percebeu que o trabalho delas não se limitava às atividades domésticas.
Segundo Caroline, os registros revelaram mulheres que acumulavam diferentes formas de trabalho como estratégia de sobrevivência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Pará.