O fio que une o campo à alta costura
O orvalho ainda borda a plantação nas terras de Diamante do Oeste, no Paraná, quando Neomir gira a chave do trator.
O motor desperta devagar, costurando o silêncio da madrugada com o ronco do trabalho que recomeça.
Lá fora, as amoreiras são podadas para oferecer folhas novas aos bichos-da-seda.
Maria, esposa de Neomir, veste a capa de chuva para se proteger da umidade da folhagem e se prepara para alimentar as lagartas.
O sol ainda nem despontou, mas, no barracão, já é possível ouvir o “barulho de chuva” que as milhares de pequenas criaturas, na quinta idade — o auge de seu crescimento — fazem ao devorar a amoreira em um compasso ritmado, transformando folhas em matéria-prima para o que, mais tarde, brilhará nas passarelas do mundo.
O animal se alimenta apenas das folhas de amoreira.
Gabrielli Schunski.
O fio que começou em um chá Contam as lendas que a seda nasceu há mais de cinco mil anos, na China.
A imperatriz Leizu tomava chá sob uma amoreira quando um casulo caiu em sua xícara.
Ao tentar retirá-lo, notou que dele se desenrolava um fio resistente e frágil.
Daquela descoberta, fiou-se um segredo guardado por séculos: a arte de criar o bicho e desenvolver tecido.
Só no século 6, monges trouxeram ovos e sementes de amoreira até o Império Bizantino, costurando o início de uma rede que se espalhou por toda a Ásia e Europa.
Hoje, o Paraná é a principal agulha desse bordado no Ocidente: responde por mais de 80% da produção brasileira, e o Brasil figura entre os maiores produtores de seda do hemisfério, graças a famílias como a de Neomir.
A empresa Bratac, sediada em Londrina, é a única fabricante de fios de seda em escala industrial no Ocidente, e é ela quem entrega as caixas de lagartas que chegam às pequenas propriedades rurais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Paraná.