Existe um interesse maior de Trump do que combater drogas, diz especialista
Os Estados Unidos preparam o envio de drones do modelo MQ-9 para a América do Sul, sob o argumento oficial de combate ao narcotráfico.
A movimentação, no entanto, gera desconfiança nas autoridades brasileiras e levanta questionamentos sobre as reais intenções de Washington na região.
Ao CNN Prime Time , a especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo analisou as implicações jurídicas e geopolíticas do deslocamento dessas aeronaves não tripuladas.
Segundo ela, diversas questões centrais ainda permanecem sem resposta, a começar pela natureza dos equipamentos.
“Esses drones se atrelam à questão da inteligência, da vigilância e também do reconhecimento do terreno”, afirmou.
“A questão principal é: esses drones vão ou não estar armados? Porque o MQ-9 existe, sim, dentro dessa prerrogativa também de estar armado .” Leia Mais Plano dos EUA de usar drones na América do Sul acende alerta no governo EUA investigam drones suspeitos de espionagem chinesa em bases militares Drones são arma preferida do crime organizado na América Latina, diz ONG Soberania e direito internacional em risco Caneparo destacou que, pelo direito internacional, qualquer operação de drones em território estrangeiro exige autorização prévia do Estado soberano.
Ela explicou que a Organização das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça e o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos não reconhecem o narcotráfico como fundamento para legítima defesa, salvo em caso de ataque direto entre Estados.
“Os Estados Unidos entendem que legítima defesa também abarca a questão de quando o Estado não quer ou não tem condições de combater esse narcotráfico”, disse.
“Então existe, sim, uma preocupação legítima do governo brasileiro em relação à própria violação de soberania aqui do nosso território nacional.” A especialista também alertou para as consequências da decisão dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas .
Para ela, essa designação desloca o tratamento do tema do campo penal para o campo da segurança de Estado, dificultando a cooperação internacional tradicional.
“A partir do momento que se designa um grupo como organização terrorista na visão dos Estados Unidos, a gente sai desse campo penal e vai para o campo do direito internacional”, explicou.
Segundo Caneparo, a lei antiterror americana, nesse contexto, poderia ser invocada para autorizar intervenções militares em outros territórios.
Interesse maior do que o combate às drogas Para Caneparo, o verdadeiro objetivo por trás da militarização da região vai além do discurso sobre o narcoterrorismo.
Ela apontou que a contenção da influência chinesa na América Latina é o fator determinante na estratégia do presidente americano, Donald Trump.
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