Zona Zero entrega adrenalina, mas não deixa marcas
Em Zona Zero , um grupo de sobreviventes precisa enfrentar uma infestação de zumbis em um edifício tomado pelo caos.
Dirigido por Yeon Sang-ho, de Invasão Zumbi (2016), o filme apresenta uma nova configuração para as criaturas, submetidas ao controle mental de um antagonista.
A ideia funciona como combustível para uma sucessão de perseguições e confrontos, mas também limita as possibilidades dramáticas da história.
O grande trunfo está na movimentação dos zumbis, provavelmente entre as melhores representações recentes do gênero.
A fisicalidade dos atores, os movimentos imprevisíveis e a sensação de ameaça constante dão aos ataques uma dimensão bastante concreta, próxima do terror físico.
Yeon demonstra habilidade na construção de sequências cinéticas, aproveitando corredores e espaços confinados para manter a ação em movimento.
O problema é que a agitação acaba se tornando uma fórmula, com pouca variação na resolução das cenas.
Visualmente, Zona Zero também deixa a desejar.
A mise-en-scène parece subordinada à necessidade de manter o ritmo acelerado, sem cuidado suficiente na composição dos planos ou na identidade visual dos confrontos.
Mesmo quando o roteiro oferece oportunidades para pequenos clímaxes envolvendo diferentes personagens, faltam cenas que realmente se imponham pela encenação.
A eficiência está lá, mas raramente se transforma em algo memorável.
A narrativa tampouco ajuda.
Entre facilitadores de roteiro e personagens pouco interessantes, quase tudo parece existir em função do próximo ataque.
O controle mental dos zumbis reforça essa lógica: é um recurso eficaz para movimentar a ação, mas esvazia parte do horror e da imprevisibilidade que fizeram do gênero um terreno tão fértil para comentários sociais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bemparana.com.br — o conteúdo pertence a Bem Paraná.