Juros futuros fecham em alta na B3 com avanço dos Treasuries e petróleo perto de US$ 94
Os juros futuros negociados na B3 encerraram esta quinta-feira (20) em alta, em um movimento puxado pela abertura da curva dos Treasuries e pela piora do ambiente externo.
As taxas médias e longas avançaram ao redor de 5 pontos-base durante boa parte da sessão, em meio ao aumento das preocupações com o endividamento público em vários países e ao pessimismo sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã.
No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 ficou em 13,725%, praticamente estável ante 13,726% no ajuste anterior.
O DI para janeiro de 2029 subiu de 14,221% para 14,275%, enquanto o vencimento para janeiro de 2031 avançou de 14,529% para 14,58%.
O mercado local devolveu parte da melhora vista na quarta-feira (19), quando o Tesouro dos Estados Unidos anunciou a ampliação do limite de recompra de papéis longos da dívida pública do país.
Em igual horário, o rendimento da T-note de dez anos subia de 4,650% para 4,701%, e o retorno do T-bond de 30 anos passava de 5,195% para 5,248%.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo : siga o Canal Rural no Google News! Também pesou no humor dos investidores a informação de que a dívida pública total dos Estados Unidos superou US$ 40 trilhões pela primeira vez.
Comentários do secretário Scott Bessent também ficaram no radar.
Segundo ele, os rendimentos dos Treasuries não estariam refletindo os fundamentos subjacentes do mercado.
Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, o efeito da recompra de títulos pelo Tesouro americano foi temporário, já que a ampliação do limite de intervenção, de R$ 2 bilhões para R$ 4 bilhões, é pequena diante do tamanho do mercado de dívida dos Estados Unidos.
Na avaliação dele, a deterioração dos fundamentos segue sustentando a alta da curva.
Cruz afirma ainda que, nesta semana, a atuação fiscal dos Estados Unidos e o comportamento dos Treasuries têm sido os principais vetores para o mercado brasileiro, em um cenário de agenda doméstica esvaziada.
Mesmo assim, ele vê espaço para uma nova redução de 0,25 ponto porcentual na Selic em setembro, diante de sinais recentes de arrefecimento da atividade e da inflação.
Na mesma linha, Matheus Pizzani, economista do Picpay, avalia que a desaceleração da atividade e surpresas benignas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) podem sustentar a continuidade da calibragem da Selic até 13,50%, projeção da instituição para 2026.
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