Marcha pelo Clima leva às ruas de Brasília cobrança por justiça ambiental neste domingo (20)
A crise climática não se resume a fenômenos distantes ou a debates restritos à agenda ambiental . Ela aparece na falta de água, no calor dentro de cidades pouco arborizadas, no preço dos alimentos, na qualidade do transporte e na capacidade do poder público de responder a enchentes, queimadas e períodos de seca. É a partir dessa compreensão que movimentos sociais, organizações ambientais e entidades da sociedade civil realizam, no próximo domingo (20), a Marcha pelo Clima em Brasília.
A concentração será a partir das 10h, no Eixão do Lazer, na altura da 102 Sul. A atividade integra uma mobilização nacional que já reúne manifestações em mais de 16 cidades brasileiras e acontece em um momento de intensificação das preocupações com os efeitos do El Niño .
O fenômeno foi confirmado no Brasil em junho e, segundo o painel elaborado por órgãos como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há mais de 90% de probabilidade de que o El Niño alcance intensidade muito forte entre setembro e novembro. Os modelos também apontam para a permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.
Para Ian Coêlho, representante do Jovens pelo Clima Brasília, o cenário reforça a necessidade de tratar a agenda climática como uma questão de política pública e não como um tema secundário das eleições de 2026.
“A pauta climática não é debate de nicho, é a nossa condição de vida : é a água da torneira que não nasce na torneira, é a sombra da árvore que falta em tanto lugar, é a comida sem veneno e o preço dela, é ter transporte de qualidade com tarifa zero e eletrificado, é o tanto que pesa a conta de luz no fim do mês”, afirma.
A mobilização pretende colocar no centro do debate a forma desigual como os impactos ambientais atingem diferentes regiões e grupos sociais. No Distrito Federal, Coêlho aponta problemas que vão desde a falta de arborização e os impactos de eventos extremos até questões relacionadas ao abastecimento de água, queimadas, resíduos sólidos, transporte público e preservação de territórios.
“São tantas que quase não cabem, mas todas nascem do mesmo racismo ambiental do território ”, afirma. Como exemplo, ele cita a diferença entre áreas do Plano Piloto e regiões periféricas do Distrito Federal.
“Tem lavanda sendo regada todo dia no Plano enquanto Ceilândia não tem arborização nenhuma, e o Sol Nascente sofre ao mesmo tempo de falta d’água e de enchente”, aponta Coêlho.
Entre os problemas levantados pelo movimento estão ainda a situação do Rio Melchior , as queimadas e a falta de apoio a brigadistas, a preservação da Serrinha do Paranoá , a gestão de resíduos sólidos, o transporte público e a proteção de territórios tradicionais.
Na avaliação de Coêlho, a crise ambiental não pode ser dissociada das condições de vida e de trabalho da população.
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