Paulo Guedes dava legitimidade a operações de empresa acusada de calote
A Polícia Federal investiga o ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes , por dar legitimidade às operações da empresa OnilX — acusada de dar calote em dezenas de investidores — . O economista é alvo de uma investigação da Polícia Federal por crime contra o sistema financeiro .
O empresário Fábio Lino, dono da OnilX, também é investigado, junto com Paulo Guedes e outras dez pessoas. O inquérito policial foi autuado em 10 de fevereiro deste ano e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba.
Paulo Guedes foi o chefe da equipe econômica no governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022
O principal alvo da investigação é Fábio Lino, mas Paulo Guedes também é investigado por supostamente ter um contrato de marketing com a OnilX . O ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro prestou consultoria à empresa e era usado por funcionários para transmitir legitimidade ao negócio . A empresa deu calote em dezenas de pessoas e entrou na mira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como revelou a coluna.
Além da consultoria, Paulo Guedes participou de reuniões estratégicas, recebeu potenciais investidores em conversas privadas e teve sua imagem utilizada em materiais de divulgação da empresa.
Em uma publicação feita pela própria OnilX, Paulo Guedes apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião descrita como de “alta relevância estratégica”. Na ocasião, o ex-ministro foi apresentado como alguém que dava “suporte e visão” ao negócio.
A relação com o ex-ministro chegou a aparecer em processos movidos por investidores. Segundo mensagens anexadas à ação, uma assessora da OnilX tentou convencer um potencial cliente a investir usando a participação de Paulo Guedes no negócio. Ela dizia que o ex-ministro “tá dentro da empresa” e que seria possível marcar uma reunião com ele para discutir estratégias caso o interessado tivesse entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para aplicar.
A coluna identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores alegam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins e, em alguns casos, levantam suspeitas de pirâmide financeira. A OnilX nega as acusações e afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais.
Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso. Os dois também aparecem entre os advogados de Fábio Lino no inquérito. Procurada, a defesa não respondeu aos contatos da coluna. O espaço segue aberto para manifestações.
A OnilX foi alvo de uma stop order da CVM no início deste ano, por oferta irregular de valores mobiliários, e atualmente responde a mais de uma centena de processos nas Justiças do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Os investidores afirmam que foram lesados pela empresa e suspeitam de terem sido vítimas de um esquema de pirâmide financeira. Eles dizem ter confiado milhões de reais ao grupo para investimentos em criptoativos e stablecoins e que, agora, não conseguem resgatar os valores, apesar da promessa de “alta liquidez”.
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