Relator vota por inelegibilidade de prefeito e pedido de vistas suspende julgamento
O plenário do Tribunal Regional Eleitoral nesta quinta-feira - 06.08.2026 (Foto: Nilzete Franco/FolhaBV) O desembargador Jésus Nascimento, relator do processo no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), votou pela manutenção da inelegibilidade do prefeito de Alto Alegre, Wagner Nunes (Republicanos), por oito anos, em ação que apura suposto abuso de poder econômico e compra de votos na eleição suplementar de 2024.
O voto também mantém multa de R$ 53.205.
O julgamento começou nesta terça-feira (27), em plenário virtual, mas foi suspenso após pedido de vista do juiz Allan Kardec Lopes Mendonça Filho.
Com isso, o processo aguarda a análise dos demais integrantes da Corte e ainda não há decisão definitiva.
Além de Allan Kardec, ainda faltam votar os juízes Diego Carmo de Sousa, Fernando Pinheiro dos Santos, Joana Sarmento de Matos e Renato Albuquerque, além do desembargador e presidente do TRE-RR, Mozarildo Cavalcanti.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Embora tenha proposto afastar duas das acusações reconhecidas na sentença de primeira instância, Jésus Nascimento entendeu que as provas restantes são suficientes para manter a condenação por compra de votos e abuso de poder econômico.
Relator aponta esquema organizado de compra de votos No voto, o desembargador destacou registros de prisões em flagrante, apreensão de dinheiro em espécie e listas de eleitores.
Segundo a análise, os elementos indicam uma estrutura de cadastramento de pessoas e oferta de valores e combustível em benefício da chapa de Wagner Nunes e do candidato a vice, Irmão Max (Progressistas).
Um dos episódios citados ocorreu na véspera da eleição, em 27 de abril de 2024, quando a Polícia Federal prendeu um homem que conduzia um veículo com propaganda eleitoral de Wagner.
Ele portava R$ 2.898 em dinheiro e anotações com listas de eleitores.
O relator também mencionou conversas extraídas de um celular, com referências a cadastros de famílias, pagamentos e combustível.
Para Jésus Nascimento, o conjunto probatório demonstra a ciência e a anuência do candidato em relação ao esquema.
A ementa do voto resume o entendimento de que a estrutura organizada de compra de votos, associada à apreensão de dinheiro e ao cadastramento de eleitores, configura irregularidade com gravidade suficiente para justificar a inelegibilidade e a multa.
Voto afasta duas acusações Por outro lado, Jésus Nascimento propôs retirar da condenação o abuso de poder relacionado à tentativa de inauguração do Ginásio Poliesportivo Passarinho, evento que não ocorreu após uma decisão liminar, e à atuação de servidores do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater).
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