Trump exporta sua política de discórdia para a questão irlandesa
O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em Dublin, Irlanda neste sábado (12).
Kylie Cooper/REUTERS Na tentativa obstinada de disseminar a discórdia por onde passa, Donald Trump pisou em solo irlandês para defender a unificação da Irlanda, reabrindo uma ferida sensível nas relações do país com o Reino Unido.
O presidente americano expôs a tese em três ocasiões durante o fim de semana, rompendo com a tradicional neutralidade dos EUA em relação ao futuro da Irlanda e Irlanda do Norte. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ao lado do premiê Micheál Martin, Trump disse que adoraria ver a ilha unificada.
“Parece que uma das coisas mais naturais de todos os tempos é juntar os dois.
Acho que seria ótimo, uma conquista para todos.
É a minha opinião e muita gente concorda com isso.” A provocação do presidente americano parecia ter como objetivo desestabilizar o Reino Unido e a Europa.
E deu certo pela velocidade com que surgiram reações contrárias.
O governo britânico reiterou que o tema, assim como um referendo para a unificação da ilha, estava fora de questão.
A proposta de Trump embaralhou o espectro político.
Unionistas do Reino Unido e da Irlanda do Norte e até os reformistas, de extrema direita, liderados pelo aliado Nigel Farage, que geralmente apoiam o presidente americano, rejeitaram o seu apelo por uma Irlanda unida.
“A Irlanda do Norte é uma parte integrante e orgulhosa do Reino Unido.
A população não quer referendo nem unificação.
Discordo do presidente Trump”, escreveu o populista Farage no X.
Initial plugin text Já os nacionalistas da Irlanda do Norte, frequentemente em rota de colisão com o presidente americano, apoiaram a proposta: "Ela reflete o amplo sentimento norte-americano em relação à unidade irlandesa e, particularmente, o da diáspora irlandesa em relação à reunificação da Irlanda", afirmou Gerry Adams, ex-líder do Sinn Fein. 👉 Pelo Acordo de Sexta-Feira Santa, assinado em 1998 em Belfast sob a mediação do então presidente dos EUA, Bill Clinton, a convocação de um referendo sobre a unificação da Irlanda só pode ser realizada mediante o apoio da maioria da população da Irlanda do Norte.
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