EUA devem se preparar para lutar 'em torno da lua', diz conselheiro militar
Os Estados Unidos devem preparar suas tropas para possíveis combates no espaço, inclusive na região ao redor da Lua, afirmou o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA. A declaração ocorre dias após o país reconhecer pela primeira vez que mantém armas de controle espacial em órbita.
Caine disse hoje, durante uma conferência sobre defesa espacial em Maryland, que os militares americanos precisam estar preparados para "lutar, resistir e vencer" desde o fundo do mar até o espaço cislunar, região que se estende da órbita terrestre até a área próxima à Lua. A informação foi divulgada pela Associated Press.
A declaração foi feita após o secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, revelar que o país já colocou em órbita armas de controle espacial capazes de proteger as forças americanas contra ações de adversários. Meink não informou quais são os armamentos, quantos existem ou quando foram colocados no espaço.
Segundo a AP, o tenente-general Gregory Gagnon, do Comando de Forças de Combate da Força Espacial, afirmou que a expansão da atividade humana no espaço exige que os EUA estejam preparados para defender seus interesses também na região ao redor da Lua. Ele disse ainda que a inteligência americana identificou esforços de possíveis adversários para ampliar conflitos para o espaço.
A China é apontada pelos militares americanos como um dos principais potenciais adversários no espaço. O país criou em 2024 suas próprias tropas militares espaciais, voltadas ao gerenciamento de crises e ao aumento de capacidades no domínio espacial.
O Tratado do Espaço Exterior, firmado em 1967 e assinado por Estados Unidos e China, determina que a Lua e outros corpos celestes sejam usados exclusivamente para fins pacíficos. O acordo também proíbe colocar armas nucleares ou outras armas de destruição em massa em órbita e estabelece regras sobre danos provocados por objetos espaciais.
Isso não significa, porém, que todos os tipos de armas convencionais sejam proibidos no espaço. Ao longo das últimas décadas, Estados Unidos e outras potências desenvolveram tecnologias capazes de interferir ou atingir sistemas espaciais de adversários.
Ainda não está claro se a presença de armas de controle espacial dos EUA ou uma eventual preparação para operações militares na região ao redor da Lua entrariam em conflito com as obrigações previstas pelo tratado. Questionado sobre o tema, Gagnon afirmou que a Força Espacial continuará realizando operações consideradas seguras e responsáveis, mas não detalhou a política americana para o uso de projéteis ou outras armas no espaço.
A Força Espacial dos EUA, criada em 2019, também planeja ampliar seu efetivo para cerca de 25 mil militares nos próximos cinco anos. De acordo com Gagnon, aproximadamente dois terços desse crescimento devem ser destinados ao Comando de Forças de Combate.
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