Justiça torna réu homem que jogou ex-esposa de penhasco em Minas Gerais
A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o homem acusado de jogar a ex-esposa de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Minas Gerais, em maio.
Denúncia foi recebida pelo Judiciário em 22 de junho, segundo o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). Com a ação, Silvanildo Amâncio de Araújo virou réu. Ele apresentou resposta à acusação em 14 de julho.
O réu foi denunciado por cinco crimes. São eles: cárcere privado qualificado, estupro, roubo com emprego de arma branca, tortura e tentativa de feminicídio.
Todos os crimes, conforme o TJMG, foram cometidos em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da Lei Maria da Penha. Entre os incisos da lei citados pelo Ministério Público estão violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral contra a mulher. Esta última ocorre quando há qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria, conforme a lei.
No dia 24 de agosto foi realizada uma audiência do caso. Detalhes não foram divulgados pelo tribunal porque o caso tramita em segredo de justiça.
No final de junho, a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito e indiciou o Silvanildo por seis crimes. Ele foi indiciado por tentativa de feminicídio, estupro, tortura, roubo, sequestro e cárcere privado e por descumprir medida protetiva que o impedia de se aproximar da vítima. Ele está preso desde o final de maio.
O UOL não conseguiu localizar a defesa de Silvanildo. O espaço segue aberto para manifestação.
A mulher foi sequestrada pelo ex-marido no final de maio. O homem chegou a avisar a familiares que a jogaria do penhasco, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Após denúncias dos familiares da vítima, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar iniciaram uma operação de buscas, que durou dois dias. No primeiro, as equipes fizeram buscas com drones e sensores térmicos. No segundo, a vítima foi localizada por uma aeronave da Polícia Militar .
Após tentar matar a esposa, o homem pretendia fugir para a Bahia, segundo a delegada Gislaine Rios. "Ele planejou todo o crime. Ele tinha o objetivo de fugir para outro estado, tinha parentes na Bahia. Ele carregava dinheiro, roupas e celulares para fugir", explicou a investigadora em entrevista coletiva.
A mulher era vítima de relação abusiva e terminou o relacionamento de 10 anos em fevereiro. "[Mesmo com o fim da relação] ele continuou indo na casa dela vigiá-la. No dia do crime, ela chegou a perceber a presença dele na escola das filhas deles. Horas depois, quando ia para o trabalho, ele a abordou", disse a delegada.
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180 , da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100 , canal voltado a violações de direitos humanos.
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