Por que Lula desagradou ainda mais o mercado com sabatina
As falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a sabatina do Jornal Nacional reforçaram o temor do mercado em relação ao cenário fiscal em caso de uma reeleição do petista em outubro, segundo analistas ouvidos por VEJA Negócios nesta sexta-feira, 28.
Na avaliação dos especialistas, entre os candidatos que já participaram das sabatinas, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) foram os que apresentaram propostas mais alinhadas às expectativas do mercado para a economia.
Na quinta-feira, Lula afirmou que não está preocupado com a trajetória da dívida pública, que passou de 72% do Produto Interno Bruto ( PIB ) para 82% durante seu terceiro mandato.
A própria equipe econômica projeta que o endividamento chegue a 87% do PIB até 2029.
“A mim, não preocupa a dívida pública”, afirmou o presidente-candidato durante a sabatina promovida pela TV Globo.
Lula atribuiu o aumento da dívida ao baixo crescimento da economia nos últimos anos, o que teria elevado a proporção dos compromissos em relação ao PIB.
“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair”, disse.
O presidente também minimizou o atual nível de endividamento ao comparar a situação brasileira com a de outros países, como os Estados Unidos, cuja dívida alcançou o recorde de 40 trilhões de dólares, equivalente a cerca de 120% do PIB americano.
Para Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, as declarações do presidente são preocupantes para o mercado.
Segundo ele, ao afirmar que não está preocupado com a dívida, Lula sinaliza que o governo não pretende dar prioridade ao problema, o que não transmite tranquilidade aos investidores.
Continua após a publicidade A comparação com os Estados Unidos também é inadequada, na avaliação de Trotta.
Isso porque os países apresentam condições distintas de financiamento.
Enquanto economias desenvolvidas conseguem conviver com níveis mais elevados de endividamento pagando juros relativamente baixos, o Brasil enfrenta uma taxa de juros real próxima de 10% ao ano.
“Ter uma dívida de 80% com o maior juro real do mundo é muito pior que ter uma dívida de 120% com juro quase perto de zero”, afirma Trotta.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.