Quilombolas de MG negociam indenização de até R$ 1,2 bilhão com mineradora
Comunidades quilombolas de Paracatu, no noroeste de Minas Gerais, buscam um acordo de reparação por danos territoriais, ambientais e culturais atribuídos à expansão da mineração na região.
As negociações, acompanhadas pelo Ministério Público Federal (MPF), envolvem a multinacional canadense Kinross Gold Corporation e podem beneficiar aproximadamente 1,3 mil famílias.
O valor estimado das indenizações varia entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão, segundo representantes jurídicos das comunidades.
A expectativa é que as partes avancem nas negociações até novembro, após a suspensão de um julgamento por 60 dias.
O procurador regional da República José Adércio Leite Sampaio esteve em Paracatu para participar de reuniões com moradores dos quilombos do Machadinho, Amaros e São Domingos, além de representantes da mineradora.
O objetivo é construir uma solução que contemple o reconhecimento dos direitos territoriais, a definição de critérios para indenizações e eventuais reassentamentos.
Famílias relatam perda de terras e de modos de vida A disputa envolve territórios historicamente ocupados por comunidades quilombolas nas proximidades da mina Morro do Ouro, explorada pela Kinross para a produção de ouro e prata.
Moradores afirmam que a instalação e a expansão das estruturas de mineração provocaram deslocamentos, alterações nas atividades tradicionais e dificuldades para preservar vínculos culturais.
No quilombo do Machadinho, a presidente da associação de moradores, Claudinês Lopes, de 32 anos, conta que cresceu ouvindo relatos da avó Antônia sobre a vida no território.
A família cultivava arroz, milho e algodão, além de realizar atividades de garimpagem artesanal.
Segundo Claudinês, sua avó morreu aos 99 anos sem conseguir a reparação que esperava.
A liderança comunitária afirma que muitas famílias passaram a viver em diferentes bairros de Paracatu e em municípios vizinhos, enfrentando dificuldades econômicas e sociais após a saída de suas terras.
MPF tenta acordo para reparação das comunidades Durante a visita à região, José Adércio Leite Sampaio se reuniu com representantes das três comunidades e participou de um encontro com aproximadamente 400 moradores do Machadinho.
O procurador defendeu uma solução que assegure compensações pelos impactos sofridos, sem afastar as obrigações legais relacionadas à proteção dos territórios e ao meio ambiente.
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