O que carro adesivado e bandeiras nas esquinas têm a ver com o nosso futuro?
O debate político do Acre é uma vergonha.
O estado enfrenta desafios imensos, com metade de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, as maiores taxas de feminicídio e violência doméstica do país, a infraestrutura de estradas e pontes em estado lastimável, a educação andando para trás e a corrupção no setor público em níveis absurdos, como há muito não se via.
Para completar, a economia não avança e os jovens, principalmente aqueles com melhor escolaridade e formação, estão, aos montes, rumando para o aeroporto como saída para a falta de perspectiva em sua própria terra.
Ou seja, não apenas o presente está complicado como estamos encomendando dificuldades maiores ainda para o futuro.
Apesar de tudo isso, o debate na política é sobre quem tem mais estrutura e quem vai ganhar a eleição para governador ou senador, sem qualquer consideração sobre o que realmente importa.
Por que isso é importante? Explico a seguir.
Quem acompanha estas bandas com um mínimo de atenção sabe que aqui importa menos os fatos em si e mais o que está sendo comentado sobre os acontecimentos — a fofoca é o que importa.
A rigor, o que dizem jornalistas, políticos e outros conversadores de plantão é o que realmente será levado em consideração pelo cidadão comum na hora de avaliar como está a vida e por onde ela deve seguir.
Ou seja, as pessoas, na sua maioria, decidem com base no senso comum.
E a necessidade de fazer parte gera aqui um efeito manada absurdamente irresistível.
Isso é tão marcante como característica sociológica do estado que uma das primeiras preocupações de muitos políticos, ao chegarem ao poder, é domar a imprensa — pela subvenção, pelo anúncio oficial ou pelo constrangimento.
Quem observa o Acre atentamente conhece os exemplos.
Não estou aqui para dizer como deve ser um debate político decente.
Para isso não há fórmula.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ac24horas.com — o conteúdo pertence a ac24horas.