Empresário delator que financiou Dark Horse movimentou R$ 1,2 mi em espécie
Alvo da nova fase da Operação Carbono Oculto, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior , conhecido como Mineiro, movimentou R$ 1,2 milhão em espédie e R$ 1,6 bilhão em operações imobiliárias, em transações consideradas suspeitas pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo).
Mineiro é dono da Entre Investimentos, conhecida pelas ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O Grupo Entre está entre as empresas envolvidas no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mineiro também figura como ganhador de R$ 176 milhões em 570 prêmios e apostas, movimentação também considerada "suspeita" pelo MP-SP, no pedido feito ao TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) para autorizar a ação.
As informações constam de relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira) que ajudou a embasar a operação, deflagrada hoje pelo MP-SP e a Receita Federal.
Mineiro era responsável por realizar lavagem de dinheiro para uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis, de acordo com o MP-SP.
O empresário fechou recentemente acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República), no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A colaboração foi homologada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Mineiro detalhou à PGR repasses feitos pela Entre ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, ligado a um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e usado para receber o dinheiro que financiou o filme "Dark Horse".
Ele também relatou ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 62 milhões na cotação atual) ao fundo e afirmou que os repasses foram determinados por Vorcaro após pedidos e cobranças do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em 2025.
O MP-SP afirma que a organização, liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", teriam "edificado projeto criminoso de lavagem de capitais" para comprar a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., a Terrana , sucroalcooleira no interior paulista.
Os investigadores apontam que as estruturas que marcaram o controle da Terrana desempenhavam funções de circulação, fragmentação e ocultação dos recursos dos proprietários. Teriam sido movimentados R$ 11,6 bilhões no esquema entre 2021 e 2025.
A usina teria recebido R$ 100 milhões em suas contas bancárias, enviados pela organização criminosa para financiar a compra. Seguindo um modus operandi já apontado pelo MP-SP, os valores passaram "em poucos minutos" por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo, ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras "contas de passagem", até aportarem na conta da referida usina sucroalcooleira.
Para o Ministério Público paulista, esse volume e o formato das operações evidencia indícios dos crimes de ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de dinheiro.
O Gaeco e a Receita realizam a ação com participação da Secretaria estadual da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil , além das corporações de outros estados.
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