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Ciência

Cães-selvagens batem recorde ao percorrerem quase 4 mil quilômetros em busca de parceiros pela Zâmbia

Por Redação 5News · · com informações de Galileu
Cães-selvagens batem recorde ao percorrerem quase 4 mil quilômetros em busca de parceiros pela Zâmbia

Cães-selvagens-africanos estabelecem recorde continental com travessia de quase 4 mil quilômetros em busca de parceiras

Uma expedição notável através do território zambiano colocou três irmãos da espécie Lycaon pictus na história como protagonistas de um deslocamento considerado inédito entre os mamíferos terrestres africanos. Ao longo de nove meses consecutivos, os três indivíduos percorreram aproximadamente 2.485 milhas, o equivalente a quase 4 mil quilômetros, em uma jornada cujo objetivo era encontrar parceiras para acasalamento. A distância percorrida superou todos os registros anteriores documentados para mamíferos terrestres do continente africano que se deslocam com esse propósito específico.

A descoberta foi documentada em detalhes em um trabalho científico divulgado em 14 de setembro de 2026 através da revista especializada Ecology. A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da Universidade Estadual de Montana, do Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem da Zâmbia e de outras instituições de pesquisa que utilizaram coleiras de monitoramento para acompanhar os movimentos dos animais durante toda a trajetória.

O ponto de partida e a divisão do grupo

Os indivíduos analisados tinham origem comum no Parque Nacional de Kafue, localizado na Zâmbia, de onde iniciaram sua jornada no mês de julho de 2025. O conjunto original era composto por sete cães-selvagens-africanos da mesma família, divididos entre quatro fêmeas e três machos. Estrategicamente, o deslocamento não ocorreu de forma uniforme: o grupo se separou em dois núcleos distintos ao longo de um período de duas semanas.

Enquanto as fêmeas permaneceram em uma zona de manejo de vida selvagem adjacente ao parque, os três machos tomaram rumo diferente, deslocando-se em direção leste, rumo às regiões centrais do país. Essa decisão estratégica de dividir o grupo refletiu a própria natureza do comportamento reprodutivo da espécie, em que os indivíduos seguem padrões de dispersão específicos em busca de oportunidades reprodutivas.

O reencontro temporário e a continuação da jornada

Um momento marcante na trajetória ocorreu em setembro de 2025, quando os três machos conseguiram se reencontrar em um local situado a mais de 965 quilômetros de distância do ponto onde tudo começou. Contudo, esse encontro, que poderia representar um ponto de repouso ou mudança de rumo, durou apenas um único dia. Após esse breve reencontro, os animais retomaram suas trajetórias individuais, cada um prosseguindo em direções próprias na continuação de sua busca.

Este padrão de dispersão e reagrupamento temporário caracteriza a dinâmica comportamental dos cães-selvagens-africanos, evidenciando como a pressão reprodutiva molda seus deslocamentos territoriais e sociais.

Contexto: A estrutura social e reprodutiva dos cães-selvagens-africanos

Para compreender plenamente o significado dessa jornada extraordinária, é essencial entender como funciona a organização social desses animais. Os cães-selvagens-africanos vivem e organizam-se em matilhas altamente estruturadas, onde cada integrante desempenha papéis específicos na vida coletiva do grupo. Essa estrutura social representa uma das mais sofisticadas entre os carnívoros africanos, com participação ativa de múltiplos indivíduos em praticamente todas as atividades do grupo.

Um aspecto central dessa organização é a cooperação reprodutiva: todos os membros da matilha contribuem ativamente na criação e no cuidado com os filhotes, compartilhando responsabilidades que vão desde a alimentação até a proteção contra predadores. Essa abordagem colaborativa permite que a taxa de sobrevivência dos filhotes seja significativamente maior do que em outras espécies de canídeos.

Porém, existe uma hierarquia reprodutiva clara e bem definida: o acasalamento fica restrito geralmente a um casal dominante, composto por um macho e uma fêmea que detêm status superior dentro da matilha. Os demais membros, apesar de sua importância para o funcionamento do grupo, raramente se reproduzem enquanto integram a matilha de origem.

Diante dessa dinâmica, os indivíduos que desejam reproduzir-se enfrentam uma escolha significativa: permanecer na matilha auxiliando na criação dos filhotes do casal dominante ou deixar o grupo em busca de um parceiro próprio com quem possam formar uma nova unidade familiar. A segunda opção é exatamente o que os três machos acompanhados neste estudo optaram por fazer.

Scott Creel, pesquisador principal do estudo vinculado à Universidade Estadual de Montana, descreveu eloquentemente essa situação em declaração fornecida à revista Science: para esses animais, a busca por um parceiro transforma-se em uma empreitada de proporções épicas. Eles estão em perseguição contínua por uma oportunidade reprodutiva e precisam manter sua busca até que finalmente localizem uma fêmea disponível, o que frequentemente resulta em deslocamentos de extensão extraordinária.

Os perigos da longa travessia

Apesar de sua notável capacidade de locomoção e resistência, a jornada dos três machos não se desenrolou sem riscos e perdas. Os pesquisadores documentaram evidências de que várias das fêmeas que saíram do parque original não sobreviveram à sua jornada, sucumbindo a armadilhas utilizadas na caça ilegal de vida selvagem na região.

A situação ficou evidente em outubro de 2025, quando as coleiras de monitoramento das fêmeas registraram padrões de movimento altamente atípicos em uma zona de mata densa próxima à cidade de Kabwe, localizada na região central zambiana. Esse tipo de movimento repetitivo em um local específico frequentemente indica que um cão retornou várias vezes ao local onde um companheiro de matilha sofreu uma lesão grave ou foi capturado.

Os pesquisadores levantaram a hipótese de que pelo menos uma das fêmeas sem coleira de rastreamento ficou presa em uma armadilha de arame, um dos mecanismos mais comuns de captura de vida selvagem na região, resultando em sua morte. Esse achado sublinha os perigos reais e concretos que essas jornadas extraordinárias representam, particularmente em regiões onde a pressão de caça e captura continua a ameaçar populações de vida selvagem.

O que acompanhar

A continuação dessa história envolve múltiplas dimensões potenciais. Primeiramente, questiona-se se os três machos que realizaram essa travessia épica conseguiram eventualmente encontrar parceiras adequadas e estabelecer seus próprios grupos reprodutivos. Caso tenham tido sucesso, isso representaria a conclusão de sua jornada e o início de uma nova fase de suas vidas centrada na formação familiar.

Adicionalmente, os pesquisadores continuam monitorando populações de cães-selvagens-africanos na Zâmbia e em outras regiões, buscando compreender se esse padrão de deslocamento extraordinário é específico dessas três famílias ou se representa uma tendência maior entre a população. Os dados coletados podem indicar pressões ambientais ou demográficas que influenciam comportamentos de dispersão na espécie.

Outro aspecto fundamental a acompanhar refere-se ao impacto da caça ilegal e das armadilhas sobre essas populações. O estudo evidencia como esses mecanismos de captura representam ameaças diretas à sobrevivência durante períodos de dispersão, momento em que os animais estão mais vulneráveis e longe de proteções e recursos das áreas de preservação oficial.

Principais pontos:

• Três cães-selvagens-africanos irmãos percorreram quase 4 mil quilômetros em nove meses pela Zâmbia, estabelecendo recorde para mamíferos terrestres africanos em busca de parceiros reprodutivos.

• A jornada partiu do Parque Nacional de Kafue em julho de 2025, com os três machos seguindo em direção leste enquanto as fêmeas permaneceram em zona de manejo próxima, refletindo padrões naturais de dispersão da espécie.

• A estrutura reprodutiva dos cães-selvagens-africanos, onde apenas casais dominantes se acasalam enquanto outros membros auxiliam na criação de filhotes, explica por que indivíduos buscam parceiros em deslocamentos de longa distância.

• Várias fêmeas do grupo original morreram capturadas em armadilhas de caça ilegal durante a jornada, evidenciando ameaças reais enfrentadas pela espécie durante períodos de dispersão territorial.

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de Galileu — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.

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