Gilmar defende para TSE uma depuração que sonega ao STF
Gilmar Mendes esticou no fim de semana um mal-estar que eletrifica a cúpula do Judiciário. Num textão pendurado nas redes sociais, cobrou do TSE uma atuação apartidária. Anotou que magistrados que cultivam a pretensão de politizar a Justiça Eleitoral devem reavaliar a permanência em seus postos. Avisou que o Supremo agirá como instância revisora.
Na sua postagem, Gilmar não deu nome às togas. Mas quem sabe ouvir as entrelinhas percebeu que ele se referia aos desafetos Nunes Marques e André Mendonça. Indicados por Bolsonaro ao Supremo, os dois ocupam, respectivamente, a presidência e a vice-presidência do TSE.
A animosidade de Gilmar contra Nunes Marques e Mendonça ficou nítida na fatídica sessão do Supremo sobre o envolvimento de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Antes da sessão, realizada em 15 de setembro, Gilmar fustigou Nunes Marques e Luiz Fux no Zap. Em mensagem dirigida ao primeiro, escreveu: "Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas".
No escurinho do Zap, Nunes Marques cobrou "respeito". Bloqueou Gilmar no aplicativo. Sob os refletores da TV Justiça, declarou-se impedido de julgar o caso Moraes-Vorcaro. Alegou que o julgamento poderia interferir no processo eleitoral.
"Então, na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento", disse Nunes Marques. Na mesma sessão, Gilmar atacou Mendonça. Com a língua e o dedo em riste, chamou o colega de "pixuleco" e "boneco eleitoral". Acusou-o de colocar a toga a serviço da candidatura de Flávio Bolsonaro. Tratou Mendonça como sub-mafioso: "Até a máfia tem ética".
Em aliança com Flávio Dino e Cristiano Zanin, Gilmar esgrimiu questões processuais para bloquear a abertura de investigação contra Moraes. Um pedido de vista de Dino adiou o debate para depois da eleição. Em consequência, Edson Fachin, presidente do Supremo, cancelou a sessão que deveria julgar na próxima quarta-feira o pedido de investigação formulado por Moraes contra Mendonça.
Quer dizer: junto com os integrantes da falange de Moraes, Gilmar contribuiu para sonegar ao Supremo a depuração que considera incontornável no TSE. Resta indagar: que legitimidade terá um Supremo politicamente conflagrado para revisar eventuais transgressões eleitorais da cúpula da Justiça Eleitoral?
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