Especialista explica cuidados para transportar cargas químicas nas rodovias
Uma carreta bitrem carregada com 30 mil litros de etanol pegou fogo na BR-262 , em Campos Altos, na região Central de Minas Gerais, na última quarta-feira (9/9).
Embora as chamas tenham atingido o cavalo mecânico, onde fica a cabine, os tanques permaneceram intactos, não houve vazamento do combustível e ninguém ficou ferido.
O caso, porém, chama a atenção para os cuidados necessários no transporte rodoviário de grandes quantidades de produtos químicos perigosos .
Segundo Wagner Contrera, conselheiro federal do Conselho Federal de Química (CFQ), o volume transportado aumenta a preocupação em uma ocorrência envolvendo etanol, já que o combustível é altamente inflamável e pode liberar vapores capazes de formar uma mistura inflamável com o ar.
“O primeiro aspecto a se considerar é que estamos falando de uma quantidade muito grande de um produto altamente inflamável.
O etanol apresenta ponto de fulgor de aproximadamente 13°C, ou seja, a partir dessa temperatura, ele começa a liberar gases em quantidade suficiente para formar com o ar uma mistura altamente inflamável”, explica Contrera.
Uma faísca elétrica, o atrito, uma superfície quente ou uma descarga eletrostática podem funcionar como fonte de ignição.
O especialista acrescenta que os vapores do etanol são mais pesados que o ar e podem se deslocar para áreas mais baixas, depressões no terreno e galerias pluviais, ampliando os locais com possibilidade de incêndio.
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A regulamentação prevê condições para o transporte, documentação, sinalização e identificação das unidades, além de requisitos para veículos e equipamentos.
No caso do transporte a granel, veículos e equipamentos também precisam passar pelas certificações e inspeções previstas nas normas.
Contrera explica que a prevenção começa antes de o caminhão chegar à estrada, com a avaliação de pneus, freios, suspensão, iluminação e sistema elétrico.
Quando a carga é perigosa, também é necessário verificar se o tanque é adequado ao produto transportado e avaliar válvulas, conexões, tampas e outros dispositivos de segurança.
A inspeção preventiva deve procurar ainda trincas, amassamentos, problemas nas soldas e outras alterações capazes de comprometer o equipamento durante o trajeto.
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