85% dos deputados buscam reeleição, e Câmara deve ter baixa renovação
Levantamento feito pelo UOL mostra que cerca de 85% dos deputados federais registraram candidaturas em busca da reeleição. Com isso, a Câmara dos Deputados deve ter baixa renovação.
Dos atuais 513 deputados, pelo menos 434, que representam 84,6%, vão buscar a reeleição. Outros 15 parlamentares se candidataram para outros cargos no Executivo ou no Senado.
Estados do Nordeste têm todos os parlamentares tentando a reeleição. Na Paraíba, que tem 12 deputados federais, no Piauí, que tem dez, e no Rio Grande do Norte, com oito, todos os políticos que estão Câmara buscam um novo mandato.
Em Alagoas, apenas dois parlamentares não se registraram para cargos na Câmara. São eles: Alfredo Gaspar (PL-AL), que concorrerá à Vice-Presidência na chapa com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e Arthur Lira (PP-AL), que tenta vaga no Senado.
Desde 1998, quando a Câmara tem 513 deputados, esse índice tem se mantido alto. Em 2022, houve 446 deputados se lançando à reeleição (o que equivale a 86,94%), foi o recorde. Mas em 1998 e 2006 o percentual também ficou acima de 85%. Em 2014, foi o mais baixo, com 75%.
Estudo já apontava tendência. O cenário de reeleição na Câmara é semelhante ao apontado por estudo do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Segundo a pesquisa, os dados devem indicar baixa renovação das cadeiras do Parlamento. Além disso, o resultado das urnas deve manter a força da centro-direita e do centrão no Legislativo.
Predominância de PT e PL também deve ser mantida. O estudo ainda descreve que os grupos de parlamentares com mandato devem ser similares ao último pleito. A federação PP-União Brasil, o PT e o PL despontam como fortes em formar as maiores bancadas da Câmara. A ala se completa com Republicanos e PSD, entre os grupos de partidos com maior potencial de crescimento.
Quem já tem mandato tem vantagens. Os parlamentares no Congresso têm possibilidade de indicar emendas para seus redutos eleitorais e ainda contam com a cota para ajudar na difusão do que fizeram durante o mandato. Os partidos também costumam destinar mais verba do fundo eleitoral para quem já é conhecido.
Cenário é comum ao longo dos anos. Na avaliação de Eduardo Sant'Anna, mestre em direito constitucional pela USP (Universidade de São Paulo) e especialista em direito eleitoral, o número de deputados que tentam a reeleição ainda é comum entre todas as eleições. Mas ele acredita que uma parte significativa acaba deixando de ser eleita.
Quanto à eleição do presidente das Casas, o percentual de reeleição não é um bom indicativo. Ainda mais com as federações tão apertadas em votos como o Congresso atualmente está, provavelmente novas alianças precisarão ser forjadas, envolvendo tanto o Executivo quanto os parlamentares. Eduardo Sant'Anna, especialista em direito eleitoral
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