EUA acusam mais de 40 países de ajudar China a driblar tarifas de Trump
A guerra comercial de Donald Trump está entrando em uma nova fase.
Depois de elevar tarifas sobre dezenas de países, o governo americano agora pretende fechar uma das principais brechas criadas pela própria política tarifária: a possibilidade de mercadorias chinesas passarem por outros países antes de chegar aos Estados Unidos e, assim, escapar de parte das tarifas impostas à China.
A Casa Branca acusou mais de 40 países, entre eles Canadá, México, Japão e membros da União Europeia, de facilitar esse tipo de operação, conhecida como transshipment .
Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13), o mecanismo pode envolver cerca de US$ 60 bilhões em comércio.
Outras estimativas citadas pelo governo americano colocam o valor entre US$ 40 bilhões e US$ 303 bilhões.
A acusação não significa que todos esses países estejam deliberadamente ajudando a China a burlar a legislação americana.
O argumento de Washington é que suas diferenças tarifárias criaram incentivos para que empresas reorganizassem as rotas de comércio e declarassem um terceiro país como origem da mercadoria.
O problema ganhou dimensão justamente porque Trump transformou tarifas em um dos principais instrumentos de sua política econômica.
Com alíquotas diferentes para cada país, tornou-se mais valioso mudar a rota de uma mercadoria antes que ela atravesse a fronteira americana.
Como funciona o desvio O mecanismo é relativamente simples.
Um produto fabricado na China pode ser enviado para outro país, onde passa por uma etapa de processamento, montagem ou simplesmente é reexportado.
Se a operação for suficiente para que a mercadoria seja considerada originária daquele segundo país, ela pode entrar nos Estados Unidos sob uma tarifa inferior à aplicada diretamente a produtos chineses.
Continua após a publicidade Mas uma mudança de rota, por si só, não transforma automaticamente a origem de uma mercadoria.
As regras americanas de origem determinam o país de fabricação do produto para fins tarifários, e a Customs and Border Protection pode exigir documentos que comprovem onde uma mercadoria foi efetivamente produzida.
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