Assessor de Lula defende cooperação com EUA no combate a facções
O debate sobre soberania e segurança regional ganhou força na reta final das eleições brasileiras.
O governo brasileiro acompanha com preocupação o avanço do grupo denominado Escudo das Américas, liderado pelos Estados Unidos e criado para ampliar a cooperação no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
A apuração é da âncora da CNN Débora Bergamasco.
Países membros do grupo assinaram recentemente um acordo para designar formalmente facções acusadas de narcotráfico — incluindo o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho — como ameaças compartilhadas, aplicando sanções contra essas organizações criminosas.
Amorim defende cooperação, mas rejeita subordinação Segudo apuração de Débora, Celso Amorim, assessor especial da Presidência para política externa, afirmou que o Brasil não pretende aderir ao Escudo das Américas, mas que isso não significa recusa à cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento ao crime.
Leia Mais Análise: Queda de braço EUA-Brasil prejudica combate ao crime CIA pode agir no Brasil? Entenda se sanções ao PCC ampliam alcance dos EUA EUA fazem operações militares contra cartéis e narcotráfico no Equador Segundo ele, o avanço militar dos Estados Unidos na região poderia servir de justificativa para uma eventual intervenção em território brasileiro.
Fontes do governo brasileiro consultadas pela reportagem expressaram o temor de que, sob a justificativa de combater o crime organizado presente no país, os Estados Unidos pudessem realizar ações militares em solo nacional.
A preocupação se insere num contexto mais amplo, no qual temas como imigração e narcotráfico passaram a ser tratados como questões de segurança nacional pelos Estados Unidos.
Tema divide candidatos nas eleições O assunto marcou diferenças claras entre as posições do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro criticou a ausência do Brasil no Escudo das Américas e defendeu a união entre países para enfrentar as facções criminosas .
“Com a falsa narrativa de que está defendendo a soberania, quando qualquer país sério e civilizado do mundo que quer combater organizações terroristas e criminosas se une”, afirmou Flávio Bolsonaro, acrescentando que a iniciativa envolve “troca de informação, troca de inteligência, investimentos em recursos e monitoramento do dinheiro”.
O analista de Política da CNN Pedro Venceslau ponderou que o discurso de Flávio Bolsonaro é de fácil assimilação, mas é criticado por especialistas em segurança pública.
Segundo ele, os países que apoiam o Escudo das Américas são, em sua maioria, governados pela direita alinhada a Donald Trump.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.