Mensagens com Vorcaro são 'farsa montada' e 'vingança' de aliados de Bolsonaro, diz Moraes
Após 15 dias de silêncio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se defendeu das suspeitas que recaem sobre seu relacionamento com o banqueiro Daniel Vorcaro, evidenciado após o Estadão revelar 51 mensagens trocadas com o dono do Banco Master. Em petição de 44 páginas, Moraes afirmou ser alvo de uma "farsa montada" e que todos sabem a "motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras". "Vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e foram condenados", disse, em alusão às condenações do núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele também dirigiu suas críticas ao que chamou de "investigação ilegal".
A entrega da peça de defesa ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ocorre pouco antes do julgamento no plenário do STF, marcado para as 10h desta terça-feira, 15, que decidirá se a investigação contra Moraes será aberta ou arquivada.
O ministro alega que "as informações apresentadas demonstram que a ilegal investigação realizada contra ministro do STF, sem pedido da Procuradoria-Geral da República e autorização do plenário do Tribunal, não apontou a existência de nenhum indício de infração penal".
Na semana passada, o Estadão detalhou as principais frentes da relação de Moraes com Daniel Vorcaro. Entre elas, estão pedidos reiterados do banqueiro para que o ministro interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de conter as investigações sobre negócios fraudulentos do Master; a participação do ministro na edição de um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Barci de Moraes e Vorcaro; conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País antes de sua prisão; cobranças relacionadas a pagamentos ao escritório Barci de Moraes; e a autorização de cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
"A investigação ilegalmente produzida pela Polícia Federal por determinação do Ministro André Mendonça não apresentou nenhum indício de que o Ministro Alexandre de Moraes tinha prévio conhecimento da decisão da Justiça Federal de 1ª instância que determinou a 'Operação Compliance' ou que tenha entrado em contato com qualquer autoridade sobre esse assunto ou, ainda, que tenha vazado alguma informação, que nem ao menos tinha ciência", alega o ministro, que foi questionado por Daniel Vorcaro se deveria sair do País um dia antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
Das 44 páginas da peça de defesa, Moraes dedicou cerca de dez a rebater o conteúdo das mensagens e seu teor comprometedor.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.