Anúncio de funeral com honras militares para Ratko Mladic provoca polêmica na Sérvia
A morte de Mladic, que estava doente há vários meses e morreu em Haia, onde cumpria uma pena de prisão perpétua por genocídio , crimes de guerra e crimes contra a humanidade, expôs novamente as feridas ainda abertas deixadas pela desintegração da antiga Iugoslávia.
Na noite de quinta-feira, manifestações espontâneas foram organizadas em homenagem ao ex-comandante militar. Em Zvornik, na Republika Srpska, entidade autônoma de maioria sérvia da Bósnia e Herzegovina, cerca de 300 pessoas marcharam diante das mesquitas do centro da cidade, entoando o nome de Ratko Mladic. Na Sérvia, algumas dezenas de simpatizantes acenderam sinalizadores e exibiram um retrato do ex-general em uma ponte no centro de Belgrado.
"É certo que o general Mladic receberá todas as honras militares e de Estado a que tem direito", declarou Vujic.
Já o grupo feminista Mulheres de Preto afirmou que o Estado e a sociedade sérvios se preparam para homenagear o responsável por um genocídio.
Em Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, organizações não governamentais também se mobilizaram e exigem uma condenação clara por parte das autoridades. Algumas defendem inclusive a expulsão do embaixador sérvio caso essas homenagens, que por enquanto permanecem apenas como uma possibilidade, sejam efetivamente realizadas.
O massacre de Srebrenica foi o pior episódio de extermínio em massa ocorrido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), forças sérvias sob o comando de Ratko Mladic executaram cerca de 8 mil bósnios muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995. As vítimas haviam buscado refúgio em uma área que deveria estar sob proteção das Nações Unidas.
Mladic era o braço militar de um trio que marcou os conflitos da ex-Iugoslávia, ao lado do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e do ex-líder dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic, durante o período em que a antiga Iugoslávia mergulhou em uma espiral de violência após a queda do comunismo.
A guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e provocou o deslocamento de 2,2 milhões de pessoas.
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