Da ficção à vida real: quando “mulheres na geladeira” deixa de ser metáfora e vira tragédia
(Fotos: Reprodução/Redes Sociais/DC Comics) Há imagens que parecem pertencer ao roteiro de um filme policial, a uma história em quadrinhos ou a uma narrativa de terror.
Mas algumas delas acontecem fora da ficção — e é justamente aí que o horror ganha outra dimensão.
O corpo de uma mulher, em estado de decomposição e com marcas de facadas, foi encontrado dentro de uma geladeira , no início da noite da última sexta-feira (21), em uma residência no Centro de Montanha, no Norte do Espírito Santo.
O proprietário da casa teria estranhado o desaparecimento do homem que morava no local.
Depois de alguns dias sem notícias, decidiu entrar na residência e encontrou o cadáver no interior da geladeira , que estava sem as prateleiras internas.
O paradeiro do suspeito é desconhecido.
A primeira vista, o caso poderia ser tratado como mais um episódio brutal de feminicídio .
Mas a forma como o corpo foi encontrado produz uma associação inevitável com uma expressão que nasceu muito longe das páginas policiais: “mulheres na geladeira” , termo criado em 1999 pela quadrinista Gail Simone.
E talvez seja justamente essa associação que permita olhar para o caso não apenas como mais uma notícia sobre uma mulher assassinada, mas como ponto de partida para discutir uma questão que continua atravessando a sociedade: por que a violência contra a mulher permanece tão presente , mesmo depois de décadas de avanços legais, sociais e culturais? Expressão que nasceu nos quadrinhos Exemplos do conceito em “Green Lantern Vol.
3 #54” e “A Piada Mortal” (Fotos: Reprodução/DC Comics) O termo “mulheres na geladeira” surgiu a partir de uma observação da maneira como personagens femininas eram tratadas em histórias em quadrinhos.
A referência vem de uma história do Lanterna Verde publicada em 1994.
Nela, Kyle Rayner chega à própria casa e encontra sua namorada, Alexandra DeWitt, assassinada e colocada dentro de uma geladeira.
A cena era chocante, mas o que chamou a atenção de Gail Simone não foi apenas a brutalidade daquele acontecimento, e sim a função que aquela violência desempenhava dentro da narrativa.
Alexandra não tinha sua história desenvolvida a partir daquele momento.
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