Varejo corta 45,9 mil vagas no Brasil mesmo com juro batendo 64% ao ano
O varejo corta vagas e elimina 45,9 mil empregos com carteira assinada no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, no pior desempenho para o período desde a pandemia. Enquanto o mercado de trabalho ao todo gerou 921 mil postos formais no país, o comércio varejista andou na contramão, influenciado por juros elevados, queda no consumo das famílias, expansão do comércio eletrônico e o avanço das apostas online (bets).
Diversos fatores macroeconômicos e comportamentais explicam a crise enfrentada pelo setor. Em primeiro lugar, a alta taxa de juros encareceu o crédito, inibindo compras parceladas de bens duráveis.
Além disso, o endividamento das famílias, que atinge quase metade da renda disponível e reduz a margem para novas despesas.
Pesquisas apontam que o avanço das apostas virtuais também retirou recursos diretamente do consumo tradicional. Levantamentos indicam que mais de 20% dos apostadores reduziram gastos com vestuário e alimentação para destinar valores às bets.
Por fim, a migração contínua dos consumidores para grandes plataformas digitais reduz a necessidade de estruturas físicas pesadas.
A crise no segmento ganha um ingrediente ainda mais severo com os desdobramentos na Casas Bahia . Recentemente, a gigante do varejo informou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e solicitou um novo pedido de recuperação judicial.
Dessa forma, o encolhimento de grandes redes consolidadas acelera o saldo negativo e pressiona ainda mais os índices de empregabilidade do setor.
Em contraste com o cenário atual, o comportamento do mercado de trabalho no comércio era positivo no ano anterior. No primeiro semestre de 2025, o varejo havia registrado a criação líquida de 23,7 mil vagas formais.
Portanto, a inversão do indicador em 2026 expõe a rápida perda de fôlego das vendas físicas. Das seis medições mensais deste ano, o segmento só conseguiu fechar com saldo positivo em três meses isolados: março, maio e junho.
Quando analisados os grandes motores da economia nacional no primeiro semestre de 2026, o varejo foi o único grande setor a fechar postos de trabalho. Com efeito, os demais segmentos registraram expansão no saldo de empregos:
Nesse contexto, o resultado do comércio em geral (-3,5 mil vagas) só não foi mais drástico porque o varejo também reúne empresas de venda de automóveis, motociclistas e atacadistas, que mantiveram contratações.
Dados divulgados pelo Banco Central comprovam o encarecimento do dinheiro para o cidadão comum. A taxa média de juros para pessoas físicas com recursos livres saltou para 64% ao ano em junho de 2026.
Além disso, as taxas cobradas no cartão de crédito rotativo subiram de 92,1% para 97,4% ao ano no mesmo período. Consequentemente, a alta nas taxas de financiamento encarece diretamente carnês e faturas, travando as vendas de eletrônicos, móveis e utilidades domésticas.
Entre os subsetores afetados, o ramo de vestuário e acessórios foi o que mais sofreu no primeiro semestre. As lojas de roupas fecharam 30,9 mil postos com carteira assinada, representando mais de dois terços de todo o saldo negativo do varejo no período.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.