O Brasil tem ciclones, sim — e o frio que chega no fim de semana ajuda a explicar por quê
Existe uma espécie de mito meteorológico que insiste em sobreviver: o de que ciclones são coisa de outros lugares, daqueles mapas de televisão que mostram o Caribe, os Estados Unidos ou o Pacífico.
O Brasil, supostamente, estaria protegido desse tipo de fenômeno.
Não está.
E o céu deste fim de semana será mais uma demonstração disso.
Dois ciclones extratropicais influenciam a circulação atmosférica no Sul do país neste período, ajudando a organizar frentes frias, ventos fortes e a entrada de ar frio que fará as temperaturas despencarem em diferentes áreas do Sul e do Sudeste.
O primeiro sistema já atua nesta sexta-feira, 21, enquanto um segundo, mais amplo e intenso, deve reforçar a incursão de ar frio ao longo do fim de semana.
A imagem de um ciclone, porém, costuma provocar uma confusão imediata: não significa que o Brasil esteja prestes a ser atingido por um furacão.
Ciclone é, antes de tudo, uma grande área de baixa pressão atmosférica em torno da qual os ventos circulam.
Existem diferentes tipos, e os que mais aparecem por aqui são justamente os extratropicais.
O próprio Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) explica que eles são os mais comuns no Brasil, ocorrem durante todo o ano e têm maior frequência no inverno.
Por que eles aparecem tanto no Sul? A localização geográfica ajuda a contar essa história.
O Sul do Brasil está numa faixa de encontro frequente entre massas de ar de características muito diferentes.
De um lado, o ar quente; de outro, o ar frio que avança das latitudes mais altas.
Esse contraste favorece a formação e o desenvolvimento de sistemas de baixa pressão.
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