Dino determina que PF investigue relação entre Master e cemitérios de SP
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a Polícia Federal investigue as relações entre o Banco Master e empresas concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo. A apuração deverá verificar também eventual participação de agentes dos Poderes Executivo e Legislativo.
A decisão foi tomada após novas informações sobre a relação do grupo empresarial de Daniel Vorcaro com a concessionária Cemitérios e Crematórios SP, ligada ao Grupo Maya. Segundo Dino, empresas ligadas ao grupo de Vorcaro ficariam com as ações da concessionária como garantia de dois financiamentos concedidos pelo Banco Master, que somavam R$ 78 milhões.
Os contratos, segundo a decisão, davam ao credor controle sobre as ações da concessionária e permitiam interferir em algumas decisões da empresa. Os créditos passaram por empresas ligadas à Master Holding, nas Ilhas Cayman, antes de chegarem à empresa ligada ao grupo de Vorcaro.
Dino cita na decisão reportagem do UOL publicada em 15 de setembro, que revelou a relação entre o grupo de Vorcaro e a concessionária ligada ao Grupo Maya. Ele também menciona uma relação já conhecida entre o grupo de Vorcaro e a Cortel, outra concessionária de cemitérios de São Paulo. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, atuava como integrante do conselho da empresa.
Diante das novas informações, o ministro determina que o Grupo Maya seja incluído na análise e fiscalização prioritárias. A decisão também manda a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) incluir a concessionária ligada ao grupo e empresas relacionadas no levantamento sobre as relações entre fundos de investimento e as concessionárias de cemitérios de São Paulo.
A decisão também ressalta que as investigações que possam atingir o ministro André Mendonça não cabem à PF neste procedimento. Segundo Dino, qualquer ato investigativo que possa atingir Mendonça compete exclusivamente ao presidente do STF, junto ao colegiado.
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