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Brasil

As tormentas que o tempo não leva

A Tarde ·
As tormentas que o tempo não leva

Há livros que contam uma história.

Outros contam um país.

Maria das Tormentas, do escritor são-tomense Lúcio Neto Amado, faz as duas coisas.

Mas talvez faça ainda mais: conta como o tempo continua vivendo dentro das pessoas.Ao terminar a leitura, tive a impressão de que a protagonista não era apenas Maria.

Era a própria memória.

Uma memória que atravessa gerações, resiste ao esquecimento e insiste em lembrar que o passado nunca desaparece completamente.

Muda de forma.

Às vezes, transforma-se em saudade.

Outras, em silêncio.

Muitas vezes, em desigualdade.A literatura tem esse privilégio que os livros de História raramente alcançam.

Enquanto estes registram datas, decretos e batalhas, o romance revela aquilo que os documentos oficiais dificilmente conseguem capturar: o medo, a esperança, a culpa, os afetos e as perdas.

É nesse território que Lúcio Neto Amado constrói sua narrativa.As tormentas do título não pertencem apenas à personagem.

São as tormentas da escravidão, da colonização, da independência e da difícil construção de uma identidade nacional.

Tempestades que atravessam São Tomé e Príncipe, mas que, de certo modo, dialogam com toda a história da lusofonia.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.

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