Dino diz que investigação alude a Mario Frias como liderança em ‘suposta arquitetura criminosa’
O deputado federal Mario Frias é apontado na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), como personagem central de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio e ocultação de recursos públicos.
Ao determinar o levantamento do sigilo de material encaminhado pela Justiça de São Paulo sobre a produtora Go Up, do filme Dark Horse , sobre Jair Bolsonaro, Dino afirma haver “indícios de que se cuida de um só sistema delitivo”, envolvendo emendas parlamentares federais e recursos relacionados à Prefeitura de São Paulo.
O ministro ressalva que as conclusões sobre Frias estão, neste momento, no campo das hipóteses investigativas.
Por que Mario Frias entrou no radar da investigação? A decisão reproduz os argumentos apresentados pela Polícia Federal para sustentar que diferentes apurações estariam relacionadas.
Entre os elementos citados estão movimentações financeiras envolvendo a empresa Complexsys, o Instituto Conservação Brasil (ICB), a Associação Nacional de Cultura (ANC) e Mario Frias.
Para a investigação, a circulação de recursos entre o parlamentar, empresas e entidades “não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas”.
O que os investigadores apontam sobre as movimentações? Segundo a representação policial reproduzida por Dino, a Complexsys, contratada pelo ICB para executar projetos custeados com recursos públicos, teria recebido transferências diretamente realizadas pelo parlamentar e, ao mesmo tempo, efetuado devoluções financeiras ao instituto.
A empresa também teria repassado valores à ANC.
Na avaliação dos investigadores, o conjunto indicaria um “circuito financeiro fechado”, característico, em tese, de estruturas destinadas à “circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação”.
O que a decisão diz sobre a empresa Go Up? Outro trecho destacado no despacho trata de transferências realizadas por Mario Frias para a empresa Go Up.
De acordo com os registros financeiros mencionados na investigação, os valores seriam “materialmente incompatíveis” tanto com os rendimentos declarados pelo parlamentar quanto com os créditos identificados em suas contas bancárias comunicadas.
Esse elemento é usado pela Polícia Federal para sustentar que Frias não seria apenas um autor de emendas cujos recursos teriam sido posteriormente desviados por terceiros.
O raio-x dos ministros do STF Continua após a publicidade Por que a investigação considera Frias um participante ativo? A representação policial afirma que as movimentações atribuídas ao deputado fazem com que ele “transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros”.
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