Por que o Brasil ainda não tem os trens que já estão sendo desenvolvidos no mundo
Basta caminhar pelos pavilhões da InnoTrans, maior feira mundial do setor ferroviário, para perceber que o trem do futuro já está sendo desenvolvido.
Há equipamentos capazes de monitorar trilhos em tempo real, sistemas de manutenção preditiva, máquinas que automatizam operações antes executadas manualmente e soluções que combinam eletrificação, baterias e outros combustíveis.
O contraste com o Brasil não está, necessariamente, na capacidade de fabricar ou comprar essa tecnologia.
O desafio é criar uma ferrovia capaz de utilizá-la.
A indústria ferroviária trabalha com ativos de longa duração e investimentos elevados.
Para uma concessionária, portanto, a decisão de comprar uma máquina sofisticada de manutenção não depende apenas de sua produtividade.
É preciso saber se haverá tempo suficiente para recuperar o investimento, se a linha terá demanda para justificar o equipamento e se a infraestrutura permitirá que os ganhos de eficiência apareçam.
Continua após a publicidade “Ferrovia não se constrói em um ciclo de governo”, afirma Victor Araújo, presidente da Plasser Brasil.
Segundo ele, a previsibilidade dos contratos é fundamental para que as empresas assumam investimentos de longo prazo.
“A gente não pode ter uma tempestade a cada quatro anos.
A gente precisa ter uma tranquilidade de investimento.” O custo de parar A manutenção é um dos pontos em que a diferença entre uma ferrovia moderna e uma operação mais manual aparece de forma concreta.
As janelas disponíveis para realizar obras são pequenas.
Quanto maior a circulação de trens, menor o intervalo em que uma linha pode ser interditada sem afetar a operação.
Nesse cenário, mecanizar não significa apenas fazer o mesmo trabalho mais rapidamente.
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