Cobra tem 'aranha' na cauda para enganar pássaros; tomografia mostra
A ponta da cauda da víbora-de-chifres-de-cauda-de-aranha parece um aracnídeo em movimento, mas exames de alta tecnologia revelaram que seus ossos são surpreendentemente comuns.
Endêmica do Irã, a Pseudocerastes urarachnoides utiliza o apêndice para atrair aves. Escamas alongadas formam uma estrutura bulbosa, com projeções semelhantes às pernas de uma aranha.
A cobra permanece camuflada entre as pedras e movimenta a cauda de forma sinuosa. Ao tentar capturar a suposta aranha, a ave se aproxima o suficiente para que a víbora dê o bote. "Ela representa uma 'ferramenta' perfeita para atrair aves com sucesso", afirmou o paleontólogo Georgios Georgalis, da Academia Polonesa de Ciências, à revista Smithsonian.
Exames revelam ossos "estranhamente normais". Pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada por raios -X para obter milhares de imagens do esqueleto da víbora. As radiografias foram combinadas na criação de uma representação tridimensional do animal. O trabalho , publicado na revista científica The Anatomical Record, apresenta a primeira descrição detalhada das vértebras da espécie.
Apesar da aparência incomum da cauda, os cientistas não encontraram ossos especializados no apêndice. A estrutura que imita uma aranha é formada apenas por tecidos moles e escamas alongadas e modificadas. As vértebras escondidas sob a falsa presa são semelhantes às encontradas na maioria das víboras.
"Queríamos investigar se a cauda da víbora-de-chifres-de-cauda-de-aranha também era estranha por dentro", explicou Georgalis à CNN norte-americana. Para surpresa da equipe, os ossos se mostraram "estranhamente normais", conforme comunicado divulgado pelo Field Museum.
As vértebras da cauda, contudo, parecem mais curtas e finas. Segundo Kurt Schwenk, professor emérito da Universidade de Connecticut que não participou do estudo, essa característica pode aumentar a flexibilidade da região. "Isso ampliaria a capacidade da cauda de realizar as curvas estreitas e sinuosas usadas para criar os movimentos realistas da isca, semelhantes aos de uma aranha", afirmou Schwenk à CNN norte-americana.
O primeiro exemplar conhecido da espécie foi coletado no Irã em 1968 e permanece preservado no Field Museum, em Chicago. Na época, os pesquisadores acreditaram que o volume na extremidade da cauda pudesse ser uma anomalia.
Todo mundo que olha para a cauda pensa que ela tem um tumor, algum tipo de protuberância ou um parasita, e que se trata de alguma anomalia Sara Ruane, curadora associada de herpetologia do Field Museum, à CNN.
Somente em 2003 outro indivíduo com a mesma característica foi encontrado. Os cientistas perceberam, então, que a cauda incomum não era uma deformidade, mas uma característica da espécie. A cobra foi formalmente descrita em 2006. "Somente quando outro indivíduo foi coletado, em 2003, alguém pensou: 'Sabe, talvez isso seja normal para esta espécie'", acrescentou Ruane.
Outras serpentes também movimentam a cauda para atrair presas, comportamento conhecido como atração ou isca caudal. Algumas apresentam a ponta da cauda com cores intensas, capazes de enganar sapos ao imitar um verme.
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