Nina Rodrigues: patrono do IML da Bahia tem legado de pioneirismo e racismo científico
Há nomes que permanecem vivos porque foram preservados pela memória.
Outros continuam presentes porque foram incorporados às próprias instituições.
Na Bahia, um deles está todos os dias em laudos, exames, necropsias, identificações de corpos e investigações criminais: Nina Rodrigues.Raimundo Nina Rodrigues morreu em 1906, aos 43 anos, mas seu nome atravessou o século e permanece associado a uma das principais estruturas da perícia baiana.
O Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR), vinculado ao Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT-BA), é o mais antigo dos cinco institutos que integram a estrutura do órgão.
Fundado em 1905 pelo professor Oscar Freire, o espaço foi batizado de Nina Rodrigues pela Congregação da Faculdade de Medicina da Bahia em homenagem ao professor catedrático de Medicina-Legal, falecido logo depois.
Atualmente, a instituição realiza perícias em vivos e mortos, incluindo exames de lesões corporais, sexologia forense, tanatologia, antropologia, psiquiatria e odontologia legal, além de atuar na identificação humana.O nome estampado na instituição, porém, carrega uma história que vai muito além da contribuição de um médico para a medicina legal.
Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) - Foto: Reprodução / Pedro Borges - Alma Preta Nina Rodrigues foi uma das figuras que ajudaram a estruturar a área no Brasil e teve papel importante na aproximação entre medicina, antropologia, psiquiatria e criminologia.
Ao mesmo tempo, parte de sua produção intelectual foi construída sobre teorias racialistas que procuravam explicar diferenças de comportamento, criminalidade e desenvolvimento humano a partir de supostas diferenças biológicas entre grupos raciais.É justamente nessa contradição que está o interesse histórico de sua trajetória: o homem que ajudou a criar bases para uma ciência que permanece fundamental para a Justiça brasileira também foi responsável por defender ideias sobre raça que a ciência contemporânea rejeita.Eugenia, racialismo e racismo científico não são conceitos idênticos.
Mas fizeram parte de um mesmo ambiente intelectual do fim do século XIX e início do século XX, quando teorias científicas eram utilizadas para tentar explicar e, em alguns casos, justificar, hierarquias entre grupos humanos.Uma ciência que procurava explicar a sociedade pela raçaPara compreender onde Nina Rodrigues se encaixa nessa história, é necessário voltar ao período em que ele viveu.A eugenia surgiu na Europa no final do século XIX e ganhou diferentes formas ao longo das décadas seguintes.
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