Sete PMs viram réus por presenciaram assassinato de casal de mulheres no ES e não fazerem nada; policial executor segue preso
Sete policiais militares denunciados por presenciar execução de casal no Espírito Santo
A Justiça Militar do Espírito Santo aceitou denúncia contra sete agentes da Polícia Militar acusados de terem presenciado, sem agir, o assassinato de duas mulheres perpetrado por colega de corporação em Cariacica, na região da Grande Vitória, em abril de 2026. A decisão, divulgada por órgãos de comunicação locais, representa um desdobramento significativo em caso que gerou intenso debate sobre protocolos de atuação policial e responsabilidade funcional dos integrantes da corporação. Os sete policiais viram a ação do colega de farda ocorrer diante de seus olhos e não realizaram qualquer tentativa de intervenção, segundo apurações da Corregedoria da Polícia Militar.
Os acusados vão responder por inobservância à conduta esperada de um policial militar, e dois deles também serão processados especificamente pela falta de cumprimento de suas obrigações ao abandonarem seus postos. A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público do Espírito Santo após análise das apurações realizadas pela Corregedoria. O processo segue agora para uma próxima fase, na qual os denunciados serão citados formalmente e poderão apresentar suas defesas perante o tribunal competente.
Os nomes dos policiais envolvidos
Os sete militares denunciados são Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Filipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini. Conforme informações da Corregedoria, todos continuam filiados à corporação, porém permanecem afastados da atuação operacional nas ruas. No momento, desempenham apenas funções administrativas internas à instituição militar, ficando assim impedidos de participar de atividades que envolvam patrulhamento ou abordagens diretas ao público.
O crime presenciado
Câmeras de segurança documentaram o episódio trágico ocorrido em oito de abril do ano em curso, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. Naquela ocasião, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale efetuou disparos que resultaram na morte de Daniele Toneto, então com 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, que possuía 31 anos de idade. As imagens captadas pelas câmeras evidenciam que todos os sete policiais ora denunciados estavam presentes no local onde ocorreram os tiros que vitimaram o casal de mulheres.
Informações sobre as circunstâncias que antecederam o crime apontam que as vítimas residiam próximas à antiga companheira do cabele e havia um desentendimento entre as três envolvidas que tinha ocorrido pouco tempo antes do episódio fatal. Segundo relatos, as mulheres executadas procuraram a polícia minutos antes de serem mortas, indicando que buscavam proteção ou denúncia antes dos disparos fatais.
O enquadramento legal e as acusações
De acordo com informações fornecidas pelo Ministério Público do Estado, o crime de inobservância à conduta esperada, pelo qual os sete policiais foram denunciados, caracteriza-se quando um militar, atuando dentro de suas funções, deixa de cumprir com as normas que regulam seu comportamento e suas ações, causando assim prejuízo à instituição militar e ao serviço público. Este tipo de acusação busca responsabilizar funcionários públicos que não cumprem seus deveres profissionais e, consequentemente, prejudicam tanto a Administração quanto o interesse público.
Dois dos denunciados recebem acusação adicional por abandono de posto, configurando uma violação ainda mais específica dos protocolos militares. Essa acusação indica que estes dois policiais, de acordo com a denúncia, não apenas deixaram de agir para impedir a execução, mas também deixaram seus postos de trabalho ou responsabilidades durante o incidente.
Ações administrativas e processuais
Ainda em abril, após solicitação do Ministério Público, seis dos sete policiais foram suspensos de suas atividades operacionais. A corporação militar deixou claro, por meio de nota oficial, que o afastamento naquele momento não significava redução ou corte de seus salários, esclarecimento importante uma vez que tais medidas punitivas só podem ser aplicadas após condenação definitiva, garantindo-se ao acusado o pleno direito de apresentar defesa, conforme garantido pela Constituição Federal.
A Corregedoria da Polícia Militar conduziu investigação própria do caso e remeteu os autos ao Ministério Público, órgão que concordou com as conclusões das apurações realizadas. Após essa concordância, o promotor de justiça responsável pelo caso elaborou e ofereceu denúncia formal perante a Justiça Militar, iniciando o processo penal que agora avança para suas próximas etapas legais.
Contexto sobre o policial executor
O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, executor dos disparos que mataram as duas mulheres, segue preso em dependências do sistema penitenciário do Estado. Conforme declarações de familiares das vítimas divulgadas à imprensa, há questionamentos severos sobre a aptidão psicológica do policial para exercer atividades que envolvem porte de armas. Familiares afirmaram públicamente que o agente apresenta comportamentos preocupantes que o desqualificam para manter armamento ou atuar nas ruas em atividade policial.
O desentendimento entre o cabo e as vítimas teria raízes em conflito anterior envolvendo sua ex-companheira, a qual residia próxima às vítimas. Este contexto pessoal e familiar parece ter sido o gatilho para a escalação do conflito que culminou nos disparos fatais. A proximidade residencial entre os envolvidos e a existência de histórico de desentendimento entre eles são elementos que constam dos autos do processo.
O que acompanhar
Nos próximos meses, o processo deverá seguir com a citação formal dos sete acusados e a apresentação das respectivas defesas, conforme procedimento previsto na Justiça Militar. Será importante observar quais argumentos serão utilizados pelos sete policiais para tentar refutar as acusações de inobservância à conduta e abandono de posto. Também é relevante acompanhar se haverá desdobramentos disciplinares adicionais por parte da corporação militar além do processamento judicial. A eventual condenação dos policiais pode abrir precedentes importantes para futuras ações relacionadas a omissão de policiais diante de crimes, marcando a jurisprudência local sobre responsabilidade funcional. Além disso, será necessário monitorar o desfecho do processo contra o executor dos disparos, a fim de compreender qual sentença será aplicada ao cabo responsável pelas mortes e como isso pode influenciar na análise da conduta dos demais agentes.
Principais pontos:
• Sete policiais militares foram denunciados por presenciar o assassinato de um casal de mulheres em Cariacica e não fazerem nada para impedir, respondendo por inobservância à conduta esperada
• O crime ocorreu em oito de abril de 2026 quando o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale executou Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana com disparos documentados por câmeras de segurança
• Dois dos sete policiais também serão acusados de abandono de posto, enquanto todos permanecem afastados da atuação operacional, exercendo apenas funções administrativas
• O processo segue agora para citação dos acusados e apresentação de defesas, com o policial executor permanecendo preso
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de G1 Espírito Santo — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Espírito Santo.