Eleição presidencial será sobre escândalos, não propostas, diz Arko Advice
O início das campanhas eleitorais dos presidenciáveis foi avaliado com ceticismo por Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice, ao WW .
Para o analista, a disputa não será decidida por propostas, mas sim pelo volume de escândalos que cada lado acumulará ao longo do período eleitoral.
Segundo Aragão, a eleição terá como protagonistas cerca de 5 a 6 milhões de eleitores independentes, que não têm alinhamento fixo com nenhum dos campos em disputa.
“Essa é uma eleição de escândalos, não é uma eleição de propostas.
É uma eleição de vazamentos”, afirmou o analista.
Esses eleitores, segundo ele, tenderão a votar no candidato considerado o “menos pior” ou, ao contrário, no adversário daquele que mais rejeitam.
Leia Mais Meio/Ideia: Flávio é rejeitado por 48% e Lula, por 47,4% dos brasileiros Futura/Apex: Lula é rejeitado por 47,4% e Flávio, 43,8% Futura: Flávio é rejeitado por 47,1% dos eleitores; Lula, por 45,9% Narrativas que não empolgam Aragão avaliou que nenhum dos lados apresenta uma narrativa capaz de mobilizar o eleitorado de forma ampla.
No campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o analista destacou que o candidato optou por não buscar o centro político, ficando “capturado no discurso nós contra eles”, agora revestido pela retórica da soberania nacional.
Já o lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , segundo Aragão, trabalha com a narrativa de revolta contra o que teria acontecido com o pai, em um “campo de mágoa muito grande”.
Para o analista, o que efetivamente decidirá a escolha, salvo um acontecimento extraordinário, será o volume de escândalos e o quanto eles poderão danificar cada candidatura.
Eleição da rejeição O diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, concordou com a avaliação de Aragão e acrescentou que a eleição atual se diferencia da de 2022 por ser marcada, sobretudo, pela rejeição.
“Agora é uma eleição da rejeição, de que ninguém está empolgado”, disse.
Como exemplo, mencionou que Lula precisou reunir militância de outras cidades e estados para encher o estádio em seu primeiro discurso de campanha, enquanto Flávio Bolsonaro também não conseguiu reunir grande público em Copacabana para a inauguração de seu movimento.
O participante também apontou que cada lado definiu claramente o seu inimigo: para a campanha de Flávio Bolsonaro, o adversário seria o STF; para a campanha de Lula, o adversário seria o presidente americano, Donald Trump , e a ideia de interferência estrangeira.
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