Motorista de Haddad reitera aproximação da PM ao depor, mas muda versão
O motorista de Fernando Haddad (PT) reiterou, em depoimento, que houve aproximação da Polícia Militar ao veículo em que ele e o candidato ao Governo de São Paulo estavam, mas mudou a versão sobre um suposto emparelhamento da viatura e um contato no para-choque.
Apesar de reafirmar a aproximação relatada por Haddad, o motorista não citou emparelhamento entre o carro que ele dirigia e a veículo da PM . O UOL apurou que o motorista apenas disse que a viatura se aproximou, "lateralizando" com o veículo em que os dois estavam.
Na semana passada, Haddad relatou à imprensa uma abordagem da PM considerada por ele fora do padrão. Segundo o candidato, ele chegava em casa na noite de terça (11), na zona sul da capital, por volta das 22h30, quando percebeu que uma viatura da polícia o acompanhava. O ex-ministro afirmou que os agentes não conversaram com ele nem pediram documentos, mas, em seguida, perseguiram seu motorista no trajeto para a casa do funcionário.
O advogado Hélio Silveira, da campanha de Haddad, relatou que a viatura chegou a encostar no para-choque do veículo . O motorista, no entanto, não fez menção no depoimento a um possível contato entre os carros.
Motorista afirmou que a viatura se aproximou e jogou luz em cima do veículo em que ele e Haddad estavam . O ex-ministro da Fazenda chegou a dizer que os policiais jogaram luz em seu rosto quando ele saiu do carro em frente à sua casa, mas o motorista confirmou isso ao depor. Um vídeo divulgado anteriormente mostra um carro da PM passando pela rua de Haddad antes de o candidato chegar em casa. Não há registro de abordagem.
No relato feito por Haddad, o motorista teria saído do carro e se dirigido aos policiais perguntando o que estava acontecendo . Nesta hora, ele teria ouvido dos PMs, segundo o candidato, a ordem "vaza daqui".
Motorista disse a PM, porém, que estava dentro do carro com as luzes internas acesas quando ouviu "vaza" dos policiais . Ele não soube identificar qual dos três policiais teria dado a ordem para que saísse do local.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pediu investigação após a repercussão do caso. Em nota divulgada na última quarta (12), a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que o chefe da pasta, Nico Gonçalves, entrou em contato com o candidato petista "em busca de informações complementares sobre o trajeto e a situação relatada".
Tarcísio afirmou que a polícia vai "apurar tudo". "A gente vai tratar essa questão como tem que ser tratada, tecnicamente", declarou a jornalistas ontem, ao chegar a um evento no Clube Hebraica, na capital paulista. Segundo ele, o motorista será chamado para prestar depoimento.
Em investigação preliminar, a PM diz que não identificou nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular . Segundo a SSP, foram analisadas cerca de 40 câmeras privadas de residências e estabelecimentos comerciais ao longo do percurso indicado pelo motorista. A apuração prossegue, de acordo com SSP. "Caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito", diz a pasta.
O MPE (Ministério Público Eleitoral) deu cinco dias para que o governo estadual preste explicações.
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