Amazônia se aproxima de ponto de não retorno, alerta relatório
A Amazônia é apontada como um dos componentes mais vulneráveis do sistema terrestre diante do avanço das mudanças climáticas.
O alerta consta no relatório Planetary Health Check 2026 , publicado nesta segunda-feira (21/09) pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), que chama atenção para o enfraquecimento da capacidade das florestas e dos solos de absorver dióxido de carbono (CO2).
Leia também: Mortes de ativistas ambientais dobram; Brasil é 2º país mais letal Segundo o documento, a floresta amazônica apresenta sinais de perda de capacidade de atuar como sumidouro de carbono, o que pode agravar o aquecimento global.
O relatório destaca a região como uma das áreas mais vulneráveis do planeta e alerta para o risco de a floresta atingir um ponto de não retorno, a partir do qual o processo de degradação poderia levar à transformação de grandes áreas da floresta em uma vegetação semelhante à savana.
A Amazônia é citada 36 vezes ao longo do relatório.
O documento classifica como iminente o risco de a floresta tropical sul-americana atingir esse ponto crítico, com possíveis consequências para a biodiversidade, o armazenamento de carbono e o equilíbrio climático.
No prefácio da edição de 2026, o cientista brasileiro Carlos Nobre afirma que a perda da Amazônia representaria não apenas uma catástrofe ecológica, mas também uma ruptura com um dos principais sistemas vivos do planeta.
Leia também: "A Amazônia não fica em pé sem o Cerrado", avalia engenheiro florestal O alerta está relacionado ao enfraquecimento dos chamados sumidouros terrestres de carbono, especialmente florestas e solos, que retiram CO2 da atmosfera.
A redução dessa capacidade pode fazer com que uma quantidade maior do gás permaneça na atmosfera.
O relatório também aponta que a degradação da Amazônia pode comprometer serviços essenciais prestados pela floresta, como a regulação do ciclo da água, a manutenção da biodiversidade e o armazenamento de carbono.
O relatório também pontuou o papel dos povos indígenas no manejo e preservação da biodiversidade, que combinam produção de alimentos e medicamentos.
Essas práticas contribuem para a fertilidade dos solos e a capacidade de recuperação da floresta.
Leia também: Expedição coleta dezenas de espécies possivelmente novas na Amazônia Os impactos também se estenderiam além da Amazônia, com sérias implicações para a estabilidade climática, a segurança alimentar e hídrica e a saúde humana em todo o mundo, como o aumento do risco de epidemias.
“Além de uma catástrofe ecológica, a perda da Amazônia seria uma ferida moral: um sinal de que permitimos que um dos grandes mundos vivos da Terra desaparecesse sob nossos cuidados”, diz o cientista brasileiro Carlos Nobre, que assina o prefácio do relatório.
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