O futuro dos professores brasileiros
Doutora em economia pela FGV, é consultora de impacto social e pesquisadora de políticas públicas, avaliação e desigualdades em educação.
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Para as crianças, o dia dos professores pode envolver homenagens, cartinhas e até presentes para aqueles que estão ali todos os dias letivos. No mínimo, há quem comemore um dia sem aulas.
À medida que crescemos, a data ganha novos significados. Quando percebemos que os professores são responsáveis pela formação de todos os estudantes e profissionais, começamos a entender porque o campo educacional fala tanto de valorização da carreira docente.
O professor é um dos principais fatores intraescolares associados à aprendizagem dos alunos. Afinal, é esse profissional que, na rotina escolar, orienta diretamente os estudantes em sua trajetória de aprendizagem. Mas o que faz um bom professor não pode ser resumido a um pequeno conjunto de características individuais, muitas vezes descritas como heroicas, ou à ausência de "militância" em sala de aula. Tampouco basta esperar que bons profissionais, por esforço próprio, consigam superar as dificuldades do sistema. Para que professores bem preparados cheguem a quem mais precisa, são necessárias políticas públicas efetivas.
O relatório Education at a Glance 2026 da OCDE trouxe como tema central a escassez e as condições de trabalho dos professores. Os dados revelam que a atratividade da carreira docente no Brasil enfrenta barreiras em termos de remuneração, estabilidade e bem-estar em sala de aula. De acordo com o relatório, apenas 22% dos professores brasileiros declaram estar satisfeitos com seu salário, ante quase 40% nos países da OCDE .
O salário, embora seja parte indispensável da valorização docente, não resolve tudo. Entre os professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental, 44% dizem estar satisfeitos com as condições de trabalho, percentual que chega a 68% nos países da OCDE.
As dimensões e os desafios da valorização docente são múltiplos. Garantir salários dignos é necessário, mas a agenda de políticas públicas precisa ir além. É preciso responder como novos talentos serão atraídos para o magistério e fortalecer a formação inicial e continuada, para que não seja baseada majoritariamente em cursos EAD, limitados na oferta de espaços para a prática docente.
Passa também por reconhecer os esforços profissionais, aperfeiçoar processos seletivos, estruturar planos de carreira e criar condições para que professores bem preparados cheguem às escolas e aos estudantes que mais precisam.
No plano nacional, o programa Mais Professores para o Brasil é uma iniciativa lançada em 2025 pelo MEC, cujas principais estratégias abarcam uma prova nacional para viabilizar seleção e bolsas de permanência para melhor atratividade e viabilizar uma alocação eficiente dos profissionais. São iniciativas relevantes, cujo alcance e resultados precisam ser acompanhados.
Reconhecer a importância do professor não significa supor que qualquer aumento salarial, curso de formação ou mudança na carreira produzirá ganhos equivalentes de aprendizagem.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.