Humanizar a inteligência artificial ou desrobotizar os humanos?
PAUSE! Pausa esse feed e escuta “ The Robots ”, do Kraftwerk .
Parecem robôs, mas não são.
Em The Man-Machine (1978), humanos faziam da aparência robótica uma experiência artística.
Sintetizadores, vozes processadas e movimentos sincronizados transformavam a música eletrônica em linguagem para perceber um mundo que se automatizava.
Hoje, bots fazem da aparência humana uma audiência — e convertem uma escuta que nunca aconteceu em milhões de dólares.
O que acontece com o discernimento quando os sinais que orientam nossas decisões também podem ser fabricados? Quando o dinheiro faz aparecer o crime? Durante anos, Michael Smith combinou músicas geradas por IA com contas automatizadas para receber royalties .
As plataformas recebiam as faixas, contabilizavam as execuções e pagavam.
Quando aquilo que o sistema processava como atividade remunerável passou a ser reconhecido como fraude? A acusação de 2024 apontava receitas superiores a US$ 10 milhões.
Em 6 de outubro de 2026, Smith foi condenado a 18 meses de prisão — menos da metade dos 46 meses pedidos pela acusação —, dois anos de liberdade supervisionada e perdimento de aproximadamente US$ 8,09 milhões.
Se tivesse recebido muito menos, teria sido descoberto? O esquema foi desenhado para não ser: as execuções se espalhavam por milhares de faixas, e nenhuma chamava atenção sozinha.
A mesma dispersão que ocultou a conduta sustentou, na sentença, o argumento da defesa de que o dano a cada artista seria ínfimo.
O sistema remunera sinais automatizáveis e depois precisa distinguir quais correspondem ao consumo que pretendia remunerar.
Quanto da fiscalização depende do volume dos ganhos? O dinheiro pode tornar uma conduta visível sem ser aquilo que a torna criminosa: a fraude eletrônica já era crime antes do caso, e a disponibilidade das ferramentas nunca demonstrou a licitude da operação.
A tecnologia acelera.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.