Perito de Dark Horse tenta convencer Corinthians que Arena está quase paga
Responsável por assinar o parecer garantindo que todo o dinheiro utilizado em Dark Horse veio do fundo abastecido por Daniel Vorcaro , o administrador de empresas Aníbal Castelo Branco se reuniu com a diretoria do Corinthians na quarta-feira (2/9) para tentar convencê-la de sua tese de que o clube já estaria perto de quitar a dívida com a Caixa pela construção da Neo Química Arena.
Conseguiu a promessa de que ele passará a integrar uma comissão que analisa o contrato e terá acesso aos números e documentos protegidos por sigilo comercial.
A “perícia” feita por ele, que ignora fatos posteriores a 2019 , também foi apresentada ao Ministério Público de São Paulo, que abriu um procedimento administrativo para apurar se a Caixa Econômica Federal está cobrando irregularmente o clube – ainda que qualquer processo de interesse do banco federal seja de competência federal.
O documento assinado por Castelo Branco lembra que, quando entrou na Justiça cobrando R$ 536 milhões do Corinthians em 2019, a Caixa informava que o saldo devedor era de R$ 423 milhões.
E reconhece que que os documentos juntados aos autos não contêm a memória de cálculo completa de como se chegou a este valor.
Mesmo sem acesso a “valores liberados, encargos incidentes, taxas aplicadas, amortizações, pagamentos, incorporações” e outros dados que compunham o montante , ele calculou que na verdade o débito do Corinthians de cerca de R$ 280 milhões .
Atualizando o valor com juros, segundo o administrador de empresas, a dívida do Corinthians seria R$ 402 milhões menor do que a atual, que calcula-se esteja na casa de R$ 600 milhões.
“Além disso, quando o Corinthians deixou de pagar, a Caixa cobrou uma multa de 10% sobre o saldo devedor, de R$ 48 milhões, o que deu os R$ 536 milhões.
Mas ela só deveria ter cobrado os 10% sobre o valor em atraso, o que daria R$ 3,7 milhões”, afirma ele.
Como o contrato é sigiloso, e os pagamentos também, Castelo Branco não tem acesso a dados posteriores aos que foram juntados a esse processo de 2019.
“Eu me dediquei a entender o que aconteceu até 2019.
Tem diferença, então tudo que está para frente está contaminado”, ele diz.
A Caixa nega qualquer tipo de irregularidade.
“A contratação original, de 2013, e a renegociação concluída, em 2022, foram submetidas e acompanhadas por efetivo assessoramento técnico e jurídico da CAIXA e do Corinthians, bem como aprovadas por rigorosas regras de governança, de ambos os lados”, disse o banco.
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