Justiça de São Paulo mantém prisão do ex-vereador Milton Leite
A Justiça de São Paulo manteve a prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso ontem em investigação sobre a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital paulista.
Milton Leite passou por audiência de custódia virtual neste sábado (19). O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que manteve a prisão temporária do ex-vereador. "Não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado de prisão", afirmou o TJ-SP.
Ele se entregou à polícia na tarde de ontem e foi encaminhado para uma cadeia pública em Mogi das Cruzes. O ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo teve sua prisão temporária decretada pela polícia por uma suposta ligação entre ele e o PCC. Além dele, outras 15 pessoas foram alvos de mandados de prisão pela Polícia Civil ontem na operação Vectura Corrupta.
Para a polícia, há fortes indícios de envolvimento direto do ex-vereador com o esquema de infiltração no transporte público do PCC. Ele seria responsável pelas operações de empresas de ônibus controladas pela facção.
O UOL já havia revelado, em 2024, relações entre Leite e a Transwolff. Uma empresa da família do então vereador alugava um terreno para a concessionária . Advogado e contador ligados ao político também prestaram serviços à companhia durante a licitação do transporte público.
Milton Leite disse à imprensa ter a "convicção" de que é inocente. Leite deu a declaração ao deixar a delegacia, onde se entregou, para fazer exames no IML.
Leite negou ter cometido qualquer crime: "Nada devo". Ele ressaltou que é inocente de todas as acusações e disse acreditar no trabalho da polícia e na Justiça, acrescentando que agora tem a oportunidade de apresentar a sua versão dos fatos.
Ex-vereador declarou que se apresentou às autoridades, conforme havia sinalizado anteriormente. O preso, que era considerado foragido, disse que não se entregou antes porque estava na residência dele em Sorocaba, no interior paulista. "Fui lá, dormi na minha casa e voltei." Ele falou que estava na casa da empresa dele, e não no imóvel onde a Polícia Civil fez buscas mais cedo, também em Sorocaba, sem localizá-lo.
Ele não quis se manifestar sobre as trocas de mensagens entre supostos integrantes do PCC que fizeram a polícia chegar até o seu nome. "Não vou discutir esses detalhes porque eu estaria entrando no processo. Pontualmente é ruim", concluiu. Depois de falar com a imprensa, por volta das 19h11, o preso foi conduzido em um carro descaracterizado para fazer exames no IML (Instituto Médico Legal) antes de ser levado à cadeia.
Defesa de Milton Leite declarou que a defesa entrou ontem com pedido no TJ-SP para obter acesso integral aos autos do processo. Em entrevista à imprensa na delegacia, o advogado Aloísio Lacerda Medeiros disse que os autos são "volumosos" e que ainda não teve acesso a nada do caso, por isso, se manifestará oportunamente.
A defesa também apontou que não entrou com pedido de habeas corpus em desfavor do cliente. Ainda acrescentou que o ex-vereador não se apresentou antes porque estava fora do estado de São Paulo.
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