Uma em cada 60 pessoas agora está infectada com HIV, enquanto a crise de drogas alimenta o surto nesse pequeno país insular
A pequena nação insular de Fiji, no Pacífico, declarou estado de emergência nacional em relação ao HIV , em meio a um aumento expressivo no número de casos, impulsionado em parte pelo crescente problema do uso de metanfetamina.
Estima-se que um em cada 60 adultos no arquipélago, com menos de um milhão de habitantes, seja portador de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) , contrariando uma tendência global de queda nas taxas desse vírus incurável, porém tratável.
Conhecido por sua cultura acolhedora, praias de areia branca e recifes de coral repletos de vida, Fiji declarou o surto do vírus pela primeira vez em janeiro de 2025 e intensificou os testes, revelando a dimensão da crescente crise de saúde pública.
Leia Mais Brasil divide 80% dos casos das doenças tropicais negligenciadas do mundo Mortes por desnutrição caem 75,7% na Terra Indígena Yanomami Mortes ligadas à cocaína crescem no Brasil, alerta relatório da ONU Ao declarar o estado de emergência na terça-feira, o Ministro da Saúde, Dr.
Atonio Lalabalavu, afirmou que o país registrou 2.060 novos diagnósticos de HIV em 2025, considerando isso um sinal da “gravidade da epidemia e da resposta urgente e coordenada que nosso país precisa agora”.
A epidemia atingiu os recém-nascidos do país, com um bebê de dois meses se tornando o paciente mais jovem identificado vivendo com HIV e tuberculose, informou a Save the Children Fiji esta semana.
O HIV ataca o sistema imunológico e facilita a contração da TB.
No ano passado, 59 bebês contraíram HIV de suas mães, disse a organização.
Há cinco anos, estimava-se que um em cada 167 fijianos vivia com HIV.
Mas, nos últimos anos, Fiji tem visto um aumento no uso de drogas injetáveis, à medida que as ilhas se tornaram um ponto de trânsito crucial para narcóticos traficados das Américas para mercados lucrativos na Austrália, Nova Zelândia e partes da Ásia.
Isso, juntamente com a persistente transmissão sexual impulsionada pelo baixo uso de preservativos e pelo estigma, tornou o surto difícil de combater.
Um cartaz de conscientização sobre o HIV foi exibido em uma das principais vias de Suva, Fiji, em 19 de março de 2026. • AFP/Getty Images As estatísticas alarmantes não captam a dimensão total da crise, afirmou Renata Ram, assessora do UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) em Fiji.
“O que mais me preocupa é a velocidade da epidemia e o número de pessoas que podem estar vivendo com HIV sem saber”, disse Ram à CNN.
Apenas cerca de 39% das pessoas que vivem com HIV em Fiji sabem que são portadoras do vírus, e menos de um quarto (22%) estão em tratamento, disse Ram.
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