Geometrias da cor
Faixas, quadrados, retângulos e planos de cor marcam as obras de Ricardo Homem sem aquela rigidez da geometria.
Nas mãos do artista mineiro, as formas ganham frestas, movimentos e pequenas imperfeições que aproximam a pintura de uma experiência mais sensível e intuitiva.
É esse universo que o público poderá conhecer em Beira Mar – Linhas Abertas, primeira exposição individual do artista na Bahia, com abertura nesta quinta-feira (20), às 19h30, na Alban Galeria, em Ondina.Com mais de três décadas dedicadas às artes visuais, Ricardo apresenta cerca de 40 obras entre pinturas sobre tela e pinturas-objeto.O conjunto reúne trabalhos produzidos nos últimos anos e revela uma pesquisa baseada na relação entre cor, forma, materialidade e ocupação do espaço.Seu interesse pela pintura começou cedo.
Ainda adolescente, aproximou-se da história da arte por meio de livros ilustrados e mantinha em casa materiais como guache, papel e lápis.
Aos 17 anos, abriu uma molduraria e passou a conviver com artistas de Belo Horizonte, entre eles Amilcar de Castro, que viria a ter papel importante em sua trajetória.“Conheci muitos artistas, conheci o Amilcar, os alunos dele, e isso para mim foi muito importante.
Eles me indicaram a Escola Guignard e eu fui fazer o vestibular”, conta.Na instituição mineira, Ricardo aprofundou a formação e passou a frequentar salões e exposições.
Entre as referências que marcaram sua produção estão Van Gogh, Matisse, Guignard e o próprio Amilcar de Castro.Mas, para além de referencia suas influências, o artista desenvolveu uma linguagem própria, em que a geometria mistura-se com referências populares e elementos encontrados nas ruas, nas construções e nos muros.“Essas formas geométricas têm uma certa subjetividade, porque também nascem muito de uma questão popular que está pelas ruas, pelas construções das casas, pelos muros”, explica.Entre a forma e a paisagemO título da exposição nasce justamente do encontro entre essa pesquisa geométrica e a paisagem litorânea.Beira Mar remete à faixa de areia, ao movimento das águas e à linha do horizonte, enquanto Linhas Abertas vem do texto crítico de José Augusto Ribeiro, que acompanhou de perto a construção da mostra.Durante cerca de três meses, artista e pesquisador trocaram imagens e conversas quase diariamente, revendo diferentes momentos da produção de Ricardo.
A seleção das obras aconteceu a partir de relações estabelecidas pela forma e pela cor.“Existe uma narrativa bem subjetiva.
Essas formas caminham em uma direção, apontam para outras, e algumas obras têm um caráter mais instalacional”, afirma.Ao reunir as peças, Ricardo percebe uma espécie de diálogo contínuo entre elas.
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