O Inter é um lêmingue
Em 1996, Nelsinho Baptista, pai de Eduardo, deixou o Inter para treinar o Corinthians Sou fascinado por lêmingues.
Presumo que o leitor tenha faculdades mentais um pouco mais preservadas do que as minhas, então explico: são pequenos roedores, menores do que um esquilo, que ganharam fama de serem os únicos integrantes do reino animal munidos de impulsos suicidas – eles iriam até a beira de penhascos, pensariam nos dilemas da existência (os boletos para pagar, o aquecimento global, a eleição que se avizinha, o Félix Torres) e aí, zum, decidiriam se jogar no vazio.
Na real, não é bem assim.
Esse papo surgiu por causa de um documentário da Disney que mostrava os bichinhos se arremessando desfiladeiro abaixo.
Mas não se tratava de suicídio: afobados por natureza, eles corriam em desespero, se atropelavam e acabavam caindo por acidente.
Eram apenas atrapalhados.
Lembrei dos lêmingues ao ler, perplexo, que o Inter decidiu contratar o técnico Eduardo Baptista para a empreitada de livrá-lo do rebaixamento.
Não sei se a decisão indica a escolha por uma morte autoinfligida ou se é só atabalhoamento mesmo.
Mas me parece claro que a diretoria olhou para o precipício e pensou: “Quer saber, bora lá!” + Leia mais notícias do Inter Eduardo Baptista anunciado pelo Inter Divulgação/Inter Eu adoraria ter estado na reunião em que essa decisão foi tomada.
Deve ter sido mais ou menos assim: Dirigente 1: (Dando um tapa na mesa) “Pessoal, tive uma ideia: Eduardo Baptista!” Dirigente 2: “Aquele que está no Criciúma e acabou de levar 4 a 0 do Atlético-GO?” Dirigente 1: “Sim!” Dirigente 3: “Aquele que é filho de um treinador que nossa torcida detesta porque nos abandonou nos anos noventa?” Dirigente 1: “Sim!!” Dirigente 2: “Aquele que durou quase nada no Palmeiras e no Fluminense?” Dirigente 1: “Sim!!!” Dirigentes 2 e 3: (Em uníssono, emocionados) “Sim, sim, é ele!!!!” Convém rir para não chorar.
E, OK, convém dar ao treinador, que tem alguns trabalhos consistentes na carreira, a chance da dúvida, a oportunidade de desfazer o desânimo que se abate sobre os torcedores desde que seu nome passou a ser mencionado como possível substituto de Pezzolano.
O direito de trabalhar e, quem sabe, mostrar que estavam (estávamos) todos completamente errados.
Se acontecer, terei o prazer de vir aqui, neste blog, anunciar meu equívoco.
Mas não é o que sinto nesta manhã de quarta-feira, 23 de setembro de 2026.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ge.globo.com — o conteúdo pertence a ge.