Gerações que brigam por direitos das mulheres criam instituto em Campo Grande
Integrantes do movimento popular de mulheres em Mato Grosso do Sul há 30 anos e de gerações atuais decidiram se unir e criar o Instituto Desperta, em Campo Grande, para oferecer apoio e serviços que podem transformar realidades de adultas e meninas.
A presidente, Bárbara Nicodemos, é formada em Serviço Social, nasceu em Belém (PA) e mudou-se para o estado do Centro-Oeste em 1984.
Chegou a morar na Capital, onde foi coordenadora de políticas públicas para mulheres e conheceu algumas das companheiras de hoje no instituto.
Depois, foi para Dourados trabalhar e representou a Marcha Mundial das Mulheres por lá.
“Nosso grupo mais ou menos se desarticulou, porque cada uma foi para um lado, mas sempre militando na questão da mulher”, lembra.
A iniciativa foi tomada diante de casos de violência de gênero aparecendo com frequência nos jornais e nas conversas do dia a dia, segundo a presidente.
Até o início desta semana, só os feminicídios no Estado somam 24.
Fazem parte da diretoria também Vanessa Viera, Sônia Maria e a ex-ministra da Mulher, Cida Gonçalves.
Trabalho de todos - Bárbara defende que a responsabilidade de combater a violência contra a mulher não é só do poder público.
“A violência é responsabilidade de todos nós, da Saúde, da Educação, é de políticas públicas que precisam ser olhadas em sua totalidade, porque nenhuma dá conta sozinha.
A gente não pode jogar tudo, por exemplo, para a polícia.
É uma questão de segurança, sim, mas a gente também tem os tribunais de Justiça”, argumenta.
O Instituto Desperta vai ser um braço dessa função, com prevenção, articulação para mulheres e crianças acessarem serviços públicos, além de oficinas e cursos para incentivar a emancipação.
“A gente hoje tem outra conjuntura, mas pretende trabalhar da forma que era dentro do movimento, com os grupos de base, com oficinas, cursos, parcerias em projetos sociais, campanhas educativas.
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