Atividade ilícita se mistura à economia formal, diz Lincoln Gakiya
A atuação do crime organizado no Brasil mudou de perfil e se aproximou perigosamente da economia formal.
A advertência é do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), feita terça-feira durante o CB Talks — Segurança para o desenvolvimento do Brasil: uma agenda contra o crime organizado, realizado pelo Correio Braziliense, em parceria com o SindiGas, Instituto Combustível Legal e Livre Mercado.
Ele deixou claro que as organizações criminosas passaram a incorporar estruturas empresariais complexas.
Com 35 anos de atuação no combate ao crime organizado, Gakiya afirmou que o perfil dos alvos das investigações mudou.
O foco, segundo ele, já não está apenas em traficantes e criminosos armados que atuam nas ruas.
“A gente não persegue mais, infelizmente, esse tipo de criminoso comum.
Até tem, mas não é o motivo de atuação do Gaeco hoje, pelo menos em São Paulo”, explicou.
Leia mais: EUA acusam o Brasil de tolerância com PCC e CV Para ilustrar a transformação, Gakiya relatou uma conversa que teve em Palermo, na Itália, uma das regiões historicamente associadas à atuação da Cosa Nostra, o grupo criminoso local.
Segundo ele, a percepção transmitida pelos italianos foi de que os mafiosos continuam presentes, mas se tornaram menos identificáveis.
“A máfia está em todos os lugares e, antigamente, nós os víamos.
Hoje, eles continuam aqui, mas nós não os vemos mais”, disse.
Na avaliação de Gakiya, um processo semelhante ocorre no Brasil.
A infiltração do crime organizado teria alcançado setores estratégicos da economia, inclusive a região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
Nesse modelo, as facções não dependem apenas de empresas de fachada para lavar dinheiro.
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